Acusados da morte de ex-presidente da OAB-MT vão a júri popular
Acusados da morte de ex-presidente da OAB-MT vão a júri

Quatro acusados de participação no assassinato do advogado Renato Gomes Nery, ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT), serão submetidos a júri popular. A decisão foi assinada nesta quarta-feira (6) pelo juiz João Bosco Soares da Silva.

Detalhes da Decisão Judicial

Os réus Jackson Pereira Barbosa, Ícaro Nathan Santos Ferreira, Julinere Goulart Bentos e Cesar Jorge Sechi foram pronunciados conforme a denúncia apresentada pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). Eles responderão por homicídio qualificado por motivo torpe ou mediante pagamento, uso de meio que gerou perigo comum e recurso que dificultou a defesa da vítima. A Justiça também manteve o agravante devido à idade de Renato, que tinha 72 anos na época do crime, além da acusação de participação em organização criminosa.

Na decisão, o juiz acolheu a tese do Ministério Público de que o assassinato foi planejado e executado de forma organizada, com divisão de tarefas entre mandantes, intermediários e executores. O magistrado destacou que há provas da materialidade do crime, como laudos periciais, boletins de ocorrência, imagens e depoimentos colhidos durante a investigação. Segundo ele, também existem indícios suficientes de autoria contra os acusados, requisito necessário para levar o caso ao Tribunal do Júri.

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Próximos Passos do Processo

Com a decisão, o processo segue para julgamento pelo Tribunal do Júri. A data da sessão ainda não foi definida.

Quem São e Como Agiram os Investigados

De acordo com o inquérito, o crime teria sido encomendado por Julinere Goulart Bentos e Cesar Jorge Sechi, motivados por uma disputa judicial envolvendo mais de 12 mil hectares de terra em Novo São Joaquim. A investigação aponta que os dois teriam pago R$ 200 mil pela execução do homicídio.

Ainda conforme o Ministério Público, os policiais Jackson Pereira Barbosa e Ícaro Nathan Santos Ferreira atuaram como intermediários, sendo responsáveis pela articulação com os executores, fornecimento da arma e intermediação dos pagamentos. Os dois também responderão por fraude processual qualificada e abuso de autoridade, por suposta tentativa de atrapalhar as investigações.

Entenda a Atuação de Cada um:

  • César Jorge Sechi e Julinere Goulart Bastos – mandantes do assassinato;
  • PM Ícaro Nathan Santos Ferreira – intermediador que forneceu a arma usada e facilitou a transferência do pagamento;
  • PM Jackson Pereira Barbosa – intermediador que coordenou o crime e realizou pagamentos parciais.

Assassinato de Renato Nery

Renato Gomes Nery foi baleado em julho de 2024, quando chegava ao escritório onde trabalhava, em Cuiabá. Segundo a Polícia Civil, o atirador já aguardava o advogado no local e fugiu em uma motocicleta após os disparos. Uma câmera de segurança registrou o momento em que Renato caminha até a entrada do escritório, é atingido pelos tiros e cai no chão. O advogado morreu um dia após o ataque. O corpo dele foi sepultado em Cuiabá, na manhã de 7 de julho de 2024.

Rastreamento Financeiro

Em março deste ano, a Polícia Civil rastreou R$ 215 mil supostamente ligados ao pagamento pelo assassinato, após quebra de sigilo bancário autorizada pela Justiça. Segundo as investigações, a empresária Julinere Goulart Bastos, apontada como uma das mandantes do crime, fez uma transferência de R$ 200 mil em 4 de março de 2024. De acordo com a polícia, o dinheiro passou por contas de terceiros em uma sequência de movimentações financeiras usada para ocultar a origem e o destino final dos valores.

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Cronologia das Movimentações Financeiras:

  1. 4 de março de 2024 – A empresária investigada realizou transferências que somam aproximadamente R$ 200 mil, com valores passando por contas de terceiros.
  2. 5 de março de 2024 – Parte do dinheiro foi usada para a compra de um veículo no valor aproximado de R$ 115 mil, registrado em nome de terceiro.
  3. 5 de março de 2024 – Também foram transferidos R$ 40 mil para a mãe de um dos investigados.
  4. 6 de março de 2024 – O restante do valor foi encaminhado para a conta do próprio investigado.
  5. 8 de março de 2024 – Foi identificado pagamento direto de R$ 15 mil da suspeita apontada como mandante ao segundo investigado.
  6. 12 de março de 2024 – Um dos investigados prestou depoimento confirmando a dinâmica do pagamento pelo crime.

A quebra de sigilo bancário autorizada pela Justiça permitiu rastrear o fluxo financeiro. A análise identificou movimentações fracionadas e uso de intermediários, indicando possível lavagem de dinheiro. O total rastreado nas movimentações relacionadas ao crime chegou a R$ 215 mil.

Diante das evidências reunidas, o rastreamento do fluxo financeiro e os depoimentos colhidos, a Polícia Civil concluiu que o caso se trata de crime de mando, caracterizado pelo pagamento para a prática de homicídio qualificado.