PRF amplia sistema de alerta de mandados de prisão para municípios
PRF compartilha sistema de alerta com municípios

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) deu um passo significativo para expandir a rede de monitoramento e captura de criminosos no país. Em dezembro, a corporação assinou um convênio com a Confederação Nacional dos Municípios (CNM) para compartilhar com guardas municipais e órgãos de trânsito o acesso ao sistema Alerta Brasil.

Como funciona a tecnologia de monitoramento

Na prática, a plataforma realiza a leitura automática de placas de veículos em tempo real por meio de câmeras instaladas nas rodovias. Atualmente, são 39 mil pontos de monitoramento em todo o território nacional, um aumento expressivo em relação aos 16 mil existentes em 2022.

Quando um carro cruza um desses pontos, o sistema consulta instantaneamente a placa e cruza os dados com bases oficiais. A ferramenta é alimentada por informações da PRF, do Renavam, do Renach, da Receita Federal e do Banco Nacional de Mandados de Prisão, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Se o proprietário do veículo tiver um mandado de prisão em aberto, um alerta é imediatamente gerado para as autoridades competentes.

Foco no combate à violência de gênero e integração municipal

Um dos aspectos mais importantes do sistema é a priorização de alertas para crimes de violência de gênero. Essa configuração deu origem à Operação Alerta Lilás, lançada em outubro, que resultou na prisão de 83 pessoas em rodovias federais. Os detidos tinham mandados por crimes como feminicídio, estupro, agressão e tentativa de homicídio, além de falta de pagamento de pensão alimentícia.

Entre os casos emblemáticos está a prisão de um homem de 40 anos, localizado em Vacaria (RS), na BR-116. Ele era procurado pela Justiça desde 2009, acusado de assassinar a namorada grávida em Caxias do Sul (RS).

O convênio com a CNM visa exatamente ampliar o alcance dessa tecnologia. Muitos criminosos atuam e circulam apenas no âmbito municipal ou estadual, áreas que antes eram "pontos cegos" para o monitoramento federal. Agora, a PRF passará a acessar as câmeras dos municípios, e as guardas municipais poderão receber e atender os alertas diretamente.

Agilidade no processo e segurança dos dados

Segundo Nádia Zilotti, diretora de Inteligência da PRF, o novo acordo simplifica drasticamente a integração das cidades. "O que antes levava até nove meses para ser formalizado agora pode ser resolvido em poucos dias por meio de um termo de adesão", afirmou.

Apenas em 2023, foram investidos R$ 58 milhões na manutenção do Alerta Brasil. A parceria permite que municípios sem condições de fazer um investimento semelhante tenham acesso à tecnologia de ponta.

Para garantir a segurança, a PRF implementará ferramentas para impedir o uso de "robôs" ou automações indevidas no sistema, cortando o acesso imediatamente em caso de qualquer comportamento fora do padrão. A medida é uma resposta a recentes revelações sobre o possível uso indevido de dados em outras plataformas de monitoramento governamentais.

Em 2025, a PRF prendeu 5.113 pessoas em cumprimento de mandados de prisão diversos, embora não divulgue quantas dessas detenções foram diretamente geradas pelo Alerta Brasil. O próximo passo estudado pela corporação é estender a cooperação para países da América Latina por meio da Ameripol (Comunidade de Polícias das Américas), indicando que a integração de inteligência e monitoramento é uma prioridade em expansão.