Comandante-geral da PM do DF defende ação policial em episódio com deputado durante carnaval
A comandante-geral da Polícia Militar do Distrito Federal, Ana Paula Habka, se pronunciou publicamente nesta quarta-feira (18) sobre o incidente ocorrido durante as festividades de carnaval, quando um policial militar jogou spray de pimenta no rosto do deputado distrital Fábio Félix, do PSOL. Em entrevista, a oficial afirmou que o caso será devidamente apurado pelas autoridades competentes, mas fez questão de defender a conduta da corporação e do agente envolvido.
Defesa da atuação policial e promessa de apuração
"Em relação à condução do deputado, isso será apurado, com certeza", declarou Ana Paula Habka. "Mas a Polícia Militar jamais vai admitir interferências em suas ocorrências. O policial estava trabalhando, representando o Estado e tem que ser respeitado", completou a comandante-geral, reforçando o posicionamento institucional diante do episódio que gerou grande repercussão.
O secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, Sandro Avelar, também se manifestou sobre o assunto, ecoando a defesa da ação do PM. Em declarações à TV Globo, Avelar destacou que o militar não avançou contra o parlamentar e que foi Fábio Félix quem se dirigiu ao local da ocorrência. "O próprio deputado comenta que se dirigiu até a polícia para poder fazer a mediação de uma prisão. Não existe esse instituto de mediação de uma prisão que está sendo levada a efeito naquele momento", argumentou o secretário.
Detalhes do incidente no bloco Rebu
O episódio aconteceu na segunda-feira (16), durante a realização do tradicional bloco Rebu, no Setor Comercial Sul de Brasília. De acordo com informações da assessoria do deputado, Fábio Félix foi acionado pela organização do evento para conversar com os policiais sobre a prisão de coordenadoras do bloco, que já havia sido efetuada quando o distrital chegou ao local.
Ao tentar estabelecer um diálogo com os militares, no entanto, o parlamentar foi atingido pelo spray de pimenta e precisou receber atendimento imediato de brigadistas presentes no carnaval. Fábio Félix ficou com vermelhidão ao redor dos olhos e, posteriormente, solicitou a prisão do policial agressor a um representante da Secretaria de Segurança Pública que estava no local.
Registro policial e versão da PM
A Polícia Militar emitiu uma nota oficial esclarecendo que a organizadora do evento foi detida após tentar impedir a prisão de dois suspeitos de venda de drogas. Segundo a corporação, todos os envolvidos foram encaminhados para a 5ª Delegacia de Polícia, onde o caso foi registrado sob os seguintes termos:
- Lesão corporal
- Abuso de autoridade
- Desacato
O secretário Sandro Avelar, quando questionado sobre a possibilidade de exagero na ação do policial, reiterou que o caso será apurado, mas manteve o apoio à atuação do agente durante a ocorrência. "Se é pra questionar a ação da polícia [...] tem que ser feito na delegacia de polícia em um primeiro momento", afirmou.
Contexto e desdobramentos
Este incidente ocorre em um momento de intensa movimentação policial durante o carnaval no Distrito Federal, com a PM atuando em diversos blocos para garantir a segurança pública. A defesa pública da conduta do policial pela cúpula da segurança do DF evidencia a complexidade das relações entre poder político e forças de segurança em situações de conflito durante grandes eventos.
Enquanto a apuração do caso segue seu curso, o episódio levanta debates sobre os limites da atuação policial e os protocolos de interação com autoridades públicas durante operações de rua. A expectativa é que as investigações tragam mais clareza sobre os detalhes da ocorrência e possíveis medidas disciplinares ou legais decorrentes.



