Justiça do Piauí concede habeas corpus e liberta donos de brechó de luxo acusados de golpes milionários
Justiça solta donos de brechó de luxo acusados de golpe

Justiça do Piauí determina soltura de empresários donos de brechó de luxo após habeas corpus

Os empresários Francine da Costa Prado e Filipe Prado dos Santos, proprietários do brechó de luxo Desapego Legal, foram colocados em liberdade após a concessão de um habeas corpus pelo Tribunal de Justiça do Piauí. A informação foi confirmada nesta terça-feira, 3 de setembro, pela Secretaria da Segurança Pública de São Paulo.

Detenção e decisão judicial

O casal estava preso desde o dia 29 de janeiro na cadeia pública de Caçapava, após ser detido em São José dos Campos, no bairro Urbanova. A decisão que determinou a soltura foi tomada na segunda-feira, 2 de setembro, por meio de alvará de soltura assinado pelo desembargador Sebastião Ribeiro Martins.

Segundo o magistrado, a prisão temporária deixou de ser necessária porque as medidas consideradas essenciais para a investigação já haviam sido cumpridas. Entre elas estão:

  • Buscas e apreensões de celulares, computadores e documentos
  • Bloqueio de valores financeiros

Para o desembargador, "não se evidencia, neste momento processual, a imprescindibilidade da continuidade da prisão temporária para o avanço das investigações". A ordem de soltura também beneficiou Ana Cristina Barbosa da Silva, madrasta de Francine, que trabalha com o casal.

Investigação por dívidas milionárias

Francine e Filipe são investigados por não repassar valores a fornecedores, com uma dívida estimada que chega a quase R$ 20 milhões. A SSP informou que não tem detalhes sobre o horário em que o casal deixou a unidade prisional.

O brechó de luxo Desapego Legal foi fundado em 2018 e declarou receitas milionárias por anos. A situação começou a mudar quando clientes de diferentes estados passaram a relatar a interrupção dos pagamentos pelas vendas das peças.

Repercussão nacional e ações judiciais

As denúncias levaram à abertura de investigação policial, ao pedido de recuperação judicial e, em janeiro de 2026, à prisão dos donos da empresa. O caso gerou quase 100 ações judiciais e boletins de ocorrência registrados em diferentes estados.

Em 2025, a denúncia ganhou repercussão nacional após reportagem exibida no programa Fantástico. Na época, o prejuízo estimado era de cerca de R$ 5 milhões. Em julho do mesmo ano, a defesa entrou com pedido de recuperação judicial, aceito pela Justiça, envolvendo cerca de 900 credores.

Contexto da prisão

Francine e Filipe foram presos durante operação policial em São José dos Campos, onde um veículo foi apreendido. No dia seguinte, o casal passou por audiência de custódia, e a Justiça manteve a prisão por não identificar irregularidades no cumprimento dos mandados.

Na ocasião, a defesa afirmou que os dois sempre atenderam às convocações judiciais e que adotaria as medidas processuais cabíveis. A SSP não divulgou informações adicionais sobre o desfecho do caso ou próximos passos da investigação.