Apresentador do SBT profere declarações transfóbicas contra deputada Erika Hilton em rede nacional
Um episódio de extrema gravidade e lamentável ocorreu na última semana, quando o apresentador Ratinho protagonizou um verdadeiro espetáculo de preconceito durante seu programa ao vivo no SBT. O fato aconteceu especificamente na terça-feira, dia 11 de março de 2026, mesmo dia em que a deputada federal Erika Hilton foi eleita para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara dos Deputados.
Declarações preconceituosas em rede nacional
Quando o tema da eleição da parlamentar foi abordado durante a transmissão televisiva, Ratinho não hesitou em atacar a deputada de maneira direta e ofensiva. O apresentador afirmou categoricamente que Erika Hilton "não é mulher" para assumir tal posição de liderança.
"Não tenho nada contra trans. Mas se tem outras mulheres mesmo... Para ser mulher tem que ter útero, menstruar, tem que ficar chata três, quatro dias. Eu sou contra. Acho que deveria deixar uma mulher", declarou Ratinho durante o programa, ignorando completamente a identidade de gênero da deputada e reforçando estereótipos prejudiciais.
Reação imediata da plateia e consequências jurídicas
A reação da plateia presente no estúdio foi imediata e eloquente. Os espectadores demonstraram visível constrangimento, muitos com expressões de surpresa e desaprovação, indicando claramente o peso prejudicial das palavras proferidas no palco. A cena rapidamente se tornou viral nas redes sociais, gerando onda de indignação entre telespectadores e ativistas de direitos humanos.
Diante das declarações transfóbicas, a deputada Erika Hilton não perdeu tempo e acionou o Poder Judiciário contra o apresentador. A parlamentar protocolou formalmente uma ação judicial e solicitou ao Ministério Público a suspensão imediata do programa de Ratinho, argumentando violação grave de direitos fundamentais e promoção de discurso de ódio.
Posicionamento oficial do SBT e contexto nacional
Com a escalada rápida do escândalo e a pressão pública crescente, a direção do SBT se viu obrigada a se pronunciar oficialmente. A emissora publicou uma nota de repúdio às declarações do apresentador, distanciando-se publicamente do conteúdo preconceituoso veiculado em sua programação.
A presidente da emissora, Daniela Beyruti, reforçou pessoalmente à deputada Erika Hilton que as opiniões expressadas por Ratinho "não representam a opinião" da empresa. Essa tomada de posição tem valor significativo não apenas pelo respeito devido à parlamentar e à comunidade trans brasileira, mas também pelo contexto alarmante em que o Brasil se encontra há anos como líder mundial nas estatísticas de assassinatos de pessoas transexuais.
Reflexões sobre o impacto social das declarações
Este incidente revela a persistência de preconceitos estruturais na sociedade brasileira e a importância do combate à transfobia em todos os espaços, incluindo a mídia de massa. As declarações de Ratinho ocorreram justamente quando uma mulher trans alcançava uma posição histórica de liderança na defesa dos direitos femininos, tornando o episódio ainda mais simbólico e preocupante.
O caso serve como alerta sobre a necessidade contínua de educação sobre diversidade de gênero e respeito aos direitos humanos, especialmente em programas com grande audiência nacional que influenciam opiniões e comportamentos sociais.



