O ator Lima Duarte, de 96 anos, tornou-se alvo de críticas após um discurso considerado racista durante a premiação da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), realizada em São Paulo na última segunda-feira, 4. Homenageado por sua carreira, ele relembrou em tom descontraído um episódio de sua adolescência, quando viveu nas ruas da capital paulista.
O discurso polêmico
No relato, Lima Duarte contou que recusou ir a uma zona de prostituição após saber que “só tinha preta”. “São Paulo tinha duas ruas [de prostituição]: Aimorés e Itaboca, no Bom Retiro. Ele falou que na Aimorés a mulher era cinco merréis, na Itaboca custava três merréis. Eu falei para irmos na Itaboca e ele respondeu: ‘Só tem preta’. Não fui. Moleque de rua, dormia embaixo do caminhão. Não fui porque só tinha preta. Que vida, hein? Que coisas eu fui percebendo ao longo dessa vida”, afirmou o ator.
Reações imediatas
O trecho gerou desconforto imediato e foi interpretado por parte do público como racista. Ainda durante a cerimônia, artistas como Carmen Luz, Shirley Cruz e Grace Passô reagiram no palco, com falas em defesa de mulheres negras, sendo aplaudidas pela plateia.
Justificativa do ator
Após a repercussão, Lima Duarte explicou que o relato foi feito em tom de memória pessoal e, segundo ele, como uma reflexão sobre a própria trajetória. “Aquela fala nasceu como retrato de um tempo e também como forma de protesto, do olhar de quem respeita e entende uma luta que é de todos”, justificou.



