Acidente na BR-230 mata Irmã Henriqueta, ativista contra tráfico humano no Marajó
Irmã Henriqueta morre em acidente na BR-230 na Paraíba

Uma capotamento na rodovia BR-230, no distrito de Galante, em Campina Grande, na Paraíba, resultou na morte de uma das mais importantes defensoras de direitos humanos da região amazônica. A Irmã Marie Henriqueta Ferreira Cavalcante, presidente do Instituto de Direitos Humanos Dom José Luis Azcona e símbolo da luta contra o tráfico humano e a exploração sexual infantil no arquipélago do Marajó, faleceu no local. O acidente ocorreu na noite de sábado, 10 de agosto.

Detalhes do acidente na rodovia

De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o veículo em que a religiosa viajava, ocupado por quatro pessoas, capotou na BR-230. Irmã Henriqueta estava no banco traseiro e não resistiu aos ferimentos. Os outros três ocupantes, incluindo um policial federal, ficaram feridos e foram socorridos para o Hospital de Trauma de Campina Grande. A unidade de saúde informou, via boletim médico, que todos passaram por exames e procedimentos de urgência e, posteriormente, receberam alta.

Uma vida dedicada à proteção dos vulneráveis

A trajetória de Irmã Henriqueta como ativista começou em 2009. Seu trabalho incansável na defesa de crianças e adolescentes no Marajó, uma região com graves índices de violação de direitos, a tornou uma figura nacionalmente reconhecida. Ela integrava o programa de proteção a defensores de direitos humanos há mais de dez anos, após sofrer diversas ameaças de morte em decorrência de sua atuação.

Em novembro de 2025, seu legado foi celebrado com o prêmio "Mulheres Inspiradoras do Ano", em uma edição especial dedicada à Amazônia. A atriz Dira Paes, que interpretou uma delegada inspirada na religiosa no filme "Manas", foi uma das que lamentaram publicamente a perda, chamando-a de "heroína brasileira".

Repercussão e homenagens póstumas

O governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), decretou luto oficial de três dias no estado pela morte da ativista. Em publicação nas redes sociais, o governador expressou profunda tristeza com a notícia. O Instituto Dom Azcona, em nota, afirmou: "Irmã Henriqueta certamente está em paz na luz eterna, junto ao amado bispo Dom Azcona".

O corpo da Irmã Henriqueta será trasladado para Belém, onde será velado, e depois seguirá para Soure, no Marajó, para o sepultamento. O instituto que ela presidia informou que ainda não há horários definidos para os ritos fúnebres.

A partida da religiosa deixa um vazio no ativismo brasileiro, mas seu legado como uma das principais vozes contra a exploração infantil na Amazônia permanece como inspiração e chamado para a continuidade da luta pelos direitos humanos.