A ativista paraense Beatriz Moreira de Oliveira está desaparecida desde a interceptação da flotilha humanitária Global Sumud por forças militares de Israel, ocorrida em águas internacionais na segunda-feira (18). Segundo organizações que acompanham o caso, os integrantes da missão seguem sem contato com advogados e sem acesso consular.
Reação do governo brasileiro
Em nota divulgada nesta quarta-feira (20), o Ministério de Relações Exteriores do Brasil reiterou seu repúdio à interceptação e à detenção dos participantes, classificando ambas as ações como ilegais. O Itamaraty também demandou a libertação imediata de todos os ativistas detidos, incluindo quatro cidadãos brasileiros, e exigiu pleno respeito aos seus direitos e dignidade, conforme os compromissos internacionais assumidos por Israel.
Detalhes da missão e desaparecimento
Natural de Belém, Beatriz participava da missão internacional rumo à Faixa de Gaza, organizada para denunciar o bloqueio ao território palestino e prestar apoio humanitário. A flotilha reúne cerca de 428 integrantes de mais de 40 países, entre ativistas, médicos e defensores de direitos humanos. Ainda na segunda-feira, a Global Sumud informou que aproximadamente 50 embarcações estavam sendo abordadas por militares israelenses perto da costa do Chipre.
Beatriz integra o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e o Movimiento de Afectados por Represas (MAR). Além dela, outros três brasileiros participam da missão: Ariadne Teles, Cassio Guedes e Thainara Rogério. Segundo publicação feita nesta quarta-feira pelo perfil oficial Brasil Global Sumud, os quatro seguem sem comunicação.
Posição de Israel e repercussão internacional
Israel confirmou a interceptação das embarcações ainda na segunda-feira. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que as forças israelenses agiram com “notável sucesso” para impedir apoio ao Hamas. O g1 procurou a Embaixada de Israel no Brasil, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.
Países criticaram Israel após a divulgação de um vídeo pelo ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, mostrando ativistas ajoelhados, com mãos amarradas e expostos ao sol, enquanto o hino nacional israelense tocava ao fundo.
Preocupações e próximos passos
O coordenador do MAB, Iury Paulino, afirmou que os integrantes da flotilha foram levados para Israel e devem ter contato consular nos próximos dias. O movimento também se reuniu com representantes do governo federal para pedir medidas contra a ação israelense. De acordo com Iury, o Ministério das Relações Exteriores informou que os brasileiros estão em um porto em território palestino ocupado e devem ser levados para outro local, onde permanecerão presos até a deportação. O acesso consular deve ocorrer apenas na quinta-feira (21).
Com a repercussão, o MAB relata que cresce a preocupação de familiares, movimentos sociais e organizações de direitos humanos. O movimento afirma que não há informações concretas nem garantias sobre a integridade física e psicológica dos ativistas. O MAB considera a interceptação ilegal, por violar o direito internacional e os direitos humanos, e destaca que este é o segundo episódio de interceptação de brasileiros. Em abril, três ativistas foram detidos durante outra ação israelense.



