Especialista orienta sobre como lidar com vizinhos violentos em condomínios
Como lidar com vizinhos violentos em condomínios: orientações

Especialista em condomínios detalha procedimentos para conflitos graves entre vizinhos

Casos de conflitos sérios entre vizinhos em ambientes condominiais são mais frequentes do que se imagina, especialmente quando envolvem comportamentos agressivos que comprometem a convivência. No programa SP1, o renomado especialista em condomínios Márcio Rachkorsky alerta que essas situações não devem ser tratadas como meros desentendimentos cotidianos.

"Não se trata de uma simples briguinha de vizinho. Não é uma confusão pequena. É algo grave que exige providências imediatas", enfatiza Rachkorsky. A orientação surge diante de relatos crescentes de moradores que enfrentam vizinhos violentos ou que colocam em risco a tranquilidade e segurança de todo o prédio.

Como identificar comportamento agressivo em condomínios

De acordo com Márcio Rachkorsky, existe uma regra prática para compreender quando uma situação ultrapassa os limites da convivência normal. Ele denomina essa diretriz como "regra dos três S":

  • Sossego
  • Saúde
  • Segurança

Quando um morador coloca qualquer um desses três elementos fundamentais em risco, seu comportamento pode ser considerado agressivo. "O sossego às vezes é comprometido por barulhos excessivos, que até podem ser tolerados temporariamente. Porém, quando envolve questões de saúde e segurança, é imprescindível tomar providências", explica o especialista.

Procedimentos ao enfrentar vizinho agressivo

A primeira e mais importante orientação é não tentar resolver a situação isoladamente. Segundo Rachkorsky, o caminho adequado deve seguir etapas específicas:

  1. Acionar a polícia imediatamente quando houver ameaça concreta ou risco iminente à integridade física.
  2. Comunicar formalmente ao síndico, que deve tratar o caso como um problema administrativo e jurídico do condomínio como um todo.
  3. Registrar e reunir provas documentais para eventual ação judicial futura.

Condomínio pode expulsar morador violento?

Sim, mas exclusivamente em casos extremos e mediante processo judicial. Quando o comportamento antissocial se torna recorrente e coloca em risco constante a integridade dos demais moradores, é possível ingressar com uma ação de expulsão. Nessa situação, o juiz pode determinar que o morador não frequente mais as dependências do condomínio.

"Isso não significa perda da propriedade do imóvel. A pessoa continua sendo proprietária do apartamento, mas não pode residir ou circular no local. Ela mantém o direito de vender ou alugar o bem, porém fica proibida de frequentar o condomínio", detalha Rachkorsky.

Quais provas são fundamentais em processos judiciais

Para comprovar efetivamente o comportamento agressivo, três categorias de evidências são consideradas essenciais:

  • Testemunhas que presenciaram os fatos
  • Gravações de áudio que documentem ameaças ou agressões verbais
  • Registros em vídeo que capturem situações concretas

Imagens provenientes de câmeras de segurança do próprio condomínio, por exemplo, podem ser decisivas para o desfecho de um processo judicial.

Quando há suspeita de problemas psiquiátricos

Nos casos em que o comportamento agressivo pode estar relacionado a questões de saúde mental, a orientação é acionar familiares do morador envolvido. Segundo o especialista, frequentemente a própria família desconhece a gravidade da situação.

Nessas circunstâncias, também pode ser solicitado judicialmente um instrumento denominado curatela. Esta medida legal permite que um responsável designado passe a administrar decisões da pessoa que não consegue cuidar de si mesma adequadamente, garantindo proteção tanto para o indivíduo quanto para a comunidade condominial.