Áudio com IA atraiu vítimas desaparecidas no RS; MP conclui investigação
Áudio com IA atraiu vítimas desaparecidas no RS

Áudio gerado por inteligência artificial foi usado para atrair vítimas desaparecidas no Rio Grande do Sul

O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS) deve anunciar nesta segunda-feira a conclusão das investigações sobre o desaparecimento de Silvana de Aguiar, de 48 anos, e de seus pais, Isail Vieira de Aguiar, 69, e Dalmira Germann de Aguiar, 70. A coletiva de imprensa ocorrerá às 9h em Porto Alegre, exatamente 100 dias após o sumiço da família.

O principal suspeito é o policial militar Cristiano Domingues Francisco, ex-marido de Silvana. Seis pessoas foram indiciadas pela Polícia Civil, incluindo Cristiano, sua atual esposa, seu irmão, sua mãe, sua sogra e um amigo. Cristiano poderá responder por até nove crimes, entre eles feminicídio e duplo homicídio triplamente qualificado.

Detalhes das acusações

De acordo com o inquérito policial, Cristiano é acusado de:

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  • Feminicídio contra Silvana: pena de 20 a 40 anos de reclusão;
  • Duplo homicídio triplamente qualificado contra os pais dela: pena de 12 a 30 anos de reclusão;
  • Ocultação de cadáver: pena de 1 a 3 anos de reclusão, além de multa;
  • Abandono de incapaz: pena de 2 a 5 anos de reclusão;
  • Falsidade ideológica: pena de 1 a 5 anos de reclusão;
  • Furto qualificado: pena de 2 a 8 anos de reclusão, mais multa;
  • Fraude processual: pena de 6 meses a 4 anos de detenção, e multa;
  • Falso testemunho: pena de 2 a 4 anos de reclusão, e multa;
  • Associação criminosa: pena de 1 a 3 anos de reclusão.

Apesar de os corpos nunca terem sido encontrados, a polícia acredita que as três vítimas estejam mortas.

Outros indiciados

Milena Ruppenthal Domingues, atual esposa de Cristiano, foi indiciada por ocultação de cadáver, furto qualificado, falso testemunho, fraude processual e associação criminosa. Wagner Domingues Francisco, irmão de Cristiano, responde por ocultação de cadáver, fraude processual e associação criminosa. Paulo da Silva, amigo de Cristiano, foi indiciado por falso testemunho, fraude processual e associação criminosa. Maria Rosane Domingues Francisco, mãe de Cristiano, e Ivone Ruppenthal, sogra de Cristiano, foram indiciadas por fraude processual e associação criminosa.

O papel do áudio com IA

Investigações revelaram que Cristiano utilizou áudios gerados por inteligência artificial para atrair as vítimas. A tecnologia foi empregada para simular vozes e enganar Silvana e seus pais, facilitando o crime. Esse detalhe chocou a opinião pública e levantou questões sobre o uso criminoso de ferramentas de IA.

Relembre o caso

Silvana foi vista pela última vez em 24 de janeiro. Uma postagem em suas redes sociais, supostamente feita por ela, dizia que havia sofrido um acidente em Gramado, mas estava bem. A polícia descobriu que o acidente nunca ocorreu e que a postagem foi uma tentativa de despistar o desaparecimento.

No dia seguinte, os pais de Silvana saíram para procurá-la. Após tentarem registrar o desaparecimento em uma delegacia fechada, dirigiram-se à casa do ex-genro. Cristiano afirmou que os ajudaria mais tarde. Horas depois, os idosos foram vistos entrando em um carro não identificado e nunca mais foram vistos.

A polícia encontrou vestígios de sangue na casa de Silvana e um projétil de arma de fogo na residência dos pais. O celular de Silvana foi localizado escondido sob uma pedra em um terreno baldio.

Defesas se manifestam

As defesas dos indiciados alegam inocência e apontam fragilidades nas investigações. A defesa de Cristiano aguarda acesso aos autos para se posicionar. Já a defesa de Milena, Paulo, Maria Rosane e Ivone declarou que os envolvidos são “absolutamente inocentes” e que irregularidades na investigação serão questionadas na Justiça. Wagner, por sua vez, afirmou que as imputações são “meras hipóteses investigativas” e confia no devido processo legal.

O caso segue em segredo de Justiça, e o MP deve apresentar a denúncia formal nos próximos dias.

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