Vídeo: turistas imitam tortura em pelourinho histórico de Mariana
Turistas imitam tortura em pelourinho de Mariana

Um vídeo que circula nas redes sociais desde o início da semana mostra turistas imitando uma cena de tortura no pelourinho de Mariana, na Região Central de Minas Gerais. A coluna de pedra, localizada na Praça Minas Gerais, no centro histórico da cidade, era utilizada no período colonial para açoitar publicamente pessoas negras escravizadas.

O que mostra o vídeo

Nas imagens, um grupo de mulheres está diante do monumento. Em determinado momento, uma delas segura as argolas de ferro e grita: "me bate". Outras pessoas ao redor observam a encenação. O vídeo foi gravado por uma moradora na última segunda-feira (20).

"Elas disseram frases como 'agora me bate', insinuando que estavam recebendo chicotadas. Em outro momento, uma disse para a outra: 'vai lá, agora é a sua vez de ser escravizada'", relatou a moradora ao g1. "Já presenciei outras pessoas tirando fotos no mesmo lugar, também com as mãos nas argolas, mas foi a primeira vez que ouvi esse tipo de fala e consegui registrar", completou.

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Repercussão e críticas

As imagens ganharam repercussão após serem compartilhadas pelo vereador Pedro Sousa (PV) no Instagram. O parlamentar classificou a atitude como "carregada de estereótipos, dor e desrespeito" e afirmou que ela "fere a dignidade do povo preto".

"É preciso lembrar que a escravidão foi um dos maiores crimes contra a humanidade, e que Mariana foi construída com o sangue de pessoas negras. Turistas que tratam esse sofrimento como entretenimento mostram que ainda precisam aprender muito sobre a história", disse o político.

Posição das autoridades

O g1 procurou a prefeitura e a Câmara Municipal de Mariana para saber se alguma medida será tomada em relação ao ocorrido, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem.

O pelourinho de Mariana é um símbolo do período colonial e da escravidão no Brasil. A prática de imitar tortura no local tem gerado indignação entre moradores e autoridades, que veem no ato um desrespeito à memória das vítimas da escravidão.

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