Flagrantes revelam tráfico e consumo de crack à luz do dia no Centro de São Paulo
Imagens capturadas pela produção do programa SP2 da TV Globo mostram cenas alarmantes de tráfico e consumo de drogas, realizados à plena luz do dia, em diversos pontos do Centro da capital paulista. O chamado "fluxo" da Cracolândia, que antes se concentrava em áreas específicas, agora se espalhou por toda a região, com aglomerações de pessoas usando crack tornando-se uma visão comum nas ruas.
Movimentação constante sob viadutos e ação policial
Nas gravações realizadas nos dias 26 e 27 de fevereiro, é possível observar a câmera do programa Smart Sampa, posicionada em frente ao Mercado Municipal, registrando a movimentação normal da rua. No entanto, a poucos metros de distância, sob o Viaduto Diário Popular, ocorre uma realidade completamente diferente. Nos corredores apertados da ocupação existente no local, o vai e vem é constante, com usuários de drogas entrando com notas pequenas de dinheiro e saindo com pedras de crack nas mãos, muitos já portando cachimbos improvisados.
Em um dos momentos registrados, uma equipe da Guarda Civil Metropolitana aparece no local. Imediatamente, as pessoas começam a sair do espaço. Os agentes, com armas em riste, abordam alguns indivíduos, conversam brevemente, mas logo se retiram sem efetuar nenhuma prisão. Minutos após a partida da viatura, o tráfico retoma suas atividades normalmente.
Comércio organizado e expansão do problema
Chama particular atenção nas imagens um homem que sai do meio dos barracos guardando notas de maior valor em sua carteira. Com cordão dourado e camiseta de marca, ele parte em um carro de luxo, evidenciando a organização e lucratividade do comércio ilegal.
O problema não se limita ao viaduto. Na Alameda Barão de Piracicaba, o comércio de drogas ocorre abertamente, com até pares de chinelos usados sendo trocados por substâncias ilícitas. No Parque Dom Pedro II, próximo à Escola Estadual São Paulo, uma parte do prédio está completamente abandonada, e sob outro viaduto adjacente à escola, surpreende o número de pessoas usando drogas juntas, formando uma espécie de mini Cracolândia.
Testemunhos e intervenções públicas
"A polícia às vezes passa e não faz nada. Só toca a sirene, eles escutam e saem andando, e daqui a pouco estão de volta", relatou um morador da região que preferiu não se identificar.
Seu Noé, de 81 anos e morador da área há quatro décadas, conta que de tanto ser roubado, começou a andar com o que chama de "celular do ladrão" para evitar maiores prejuízos. "A Cracolândia que tinha aqui no Centro espalhou pelo Centro todo. Não é que acabou, simplesmente espalhou", afirmou.
Até maio do ano passado, a aglomeração de dependentes químicos se concentrava na Rua dos Protestantes, próximo à Estação da Luz. Após uma série de intervenções do poder público, os usuários que lotavam a área desapareceram do local. No terreno, existia um teatro que funcionava em área da prefeitura, mas foi fechado após a administração municipal pedir a área de volta. A estrutura agora está cercada por tapumes, com a promessa de uso do espaço para construção de moradias populares e área de lazer.
Posicionamento das autoridades
A Secretaria da Segurança Pública afirmou que os pontos de venda de droga são dinâmicos, com a polícia fechando um local e os traficantes abrindo outro rapidamente. Segundo o governo, no entanto, a polícia acompanha essas mudanças e já possui um mapeamento para poder agir nesses locais.
Em nota, a Prefeitura de São Paulo declarou que mantém um trabalho contínuo de atendimento e acolhimento a pessoas em situação de rua e vulnerabilidade, com equipes da assistência social atuando dia e noite na região do Parque Dom Pedro II e dos Campos Elíseos. A administração municipal também afirmou que a Guarda Civil Metropolitana realiza policiamento ostensivo 24 horas por dia na capital.
Nesta semana, a GCM realizou uma blitz no local onde ocorre o consumo de drogas próximo à escola estadual. Nenhuma prisão foi efetuada, mas os agentes recolheram pelo menos seis facas que, segundo eles, seriam usadas em assaltos, com os produtos roubados sendo trocados por drogas no próprio local.



