Tragédia repetida: segunda criança autista é encontrada morta em Maceió em menos de um mês
O corpo de uma criança autista não verbal foi encontrado na manhã desta quarta-feira (4) boiando em uma lagoa de tratamento de esgoto localizada no Parque dos Caetés, no bairro Benedito Bentes, em Maceió. Esta é a segunda criança autista encontrada morta em circunstâncias similares na capital alagoana em apenas 14 dias, levantando graves questões sobre segurança e vigilância em áreas de risco.
Identificação e circunstâncias do desaparecimento
A vítima foi identificada como Arthur Oliveira Fochi, de apenas seis anos de idade. Familiares reconheceram o corpo após ele ser retirado das águas da lagoa. De acordo com relatos de testemunhas, na noite de terça-feira (3), Arthur estava acompanhado da mãe quando soltou sua mão e correu em direção a uma área de mata próxima. O desaparecimento foi imediato e a busca só resultou na trágica descoberta na manhã seguinte.
O tenente José Alexandre Nascimento, do Corpo de Bombeiros Militar de Alagoas (CBM-AL), confirmou à reportagem da TV Asa Branca Alagoas que se tratava do corpo da criança desaparecida. O militar destacou que, ao chegar ao local, constatou a presença da lagoa da estação de tratamento, um ambiente que apresenta riscos evidentes.
Falhas na segurança da estação de tratamento
A reportagem que esteve no local constatou graves deficiências na segurança do perímetro. O portão de acesso à estação de tratamento estava fechado apenas por um ferrolho simples, sem cadeado, e havia espaços abertos nas grades que deveriam isolar completamente o acesso ao espaço perigoso. No interior da área foram encontrados um sofá e pacotes de biscoitos, indicando que o local é frequentemente utilizado por visitantes não autorizados.
O g1 entrou em contato com as empresas responsáveis pelo saneamento na região. A BRK informou que não possui estação de tratamento no Parque dos Caetés. A SANAMA, que passou a operar no bairro no segundo semestre de 2025, esclareceu que existem sistemas isolados cuja operação e manutenção ainda são responsabilidade da Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal). A Casal, por sua vez, afirmou que está apurando a situação.
Caso anterior: Anthony Gabriel, cinco anos
Esta tragédia ocorre exatamente duas semanas após outro caso similar que chocou Maceió. Na noite de quarta-feira (18) do mês passado, o corpo de Anthony Gabriel, uma criança autista não verbal de cinco anos, foi encontrado boiando dentro de um córrego no bairro do Feitosa.
Inicialmente, durante o atendimento médico na UPA do Jacintinho, surgiram suspeitas de abuso sexual, levando a Polícia Civil a registrar o boletim de ocorrência como 'estupro de vulnerável'. No entanto, investigações posteriores da Polícia Civil e do Instituto Médico Legal (IML) descartaram completamente tanto o abuso sexual quanto qualquer morte por crime violento. A causa do óbito foi determinada como afogamento acidental.
Preocupação com crianças autistas e segurança urbana
Os dois casos consecutivos envolvendo crianças autistas não verbais revelam uma vulnerabilidade específica desta população e expõem falhas críticas na proteção de áreas urbanas perigosas. A repetição do padrão de desaparecimento seguido de afogamento em espaços públicos mal protegidos acende um alerta urgente para autoridades e comunidade.
Especialistas em segurança e defensores de direitos de pessoas com autismo destacam a necessidade de medidas preventivas mais eficazes, incluindo melhor sinalização, cercamento adequado de áreas de risco e conscientização da população sobre os perigos específicos que crianças com condições do espectro autista podem enfrentar devido a comportamentos de fuga ou falta de percepção de risco.
As famílias das vítimas e a comunidade de Maceió aguardam respostas concretas das autoridades sobre as medidas que serão tomadas para evitar que tragédias similares voltem a ocorrer na capital alagoana.



