Um homem foi preso suspeito de envolvimento no desaparecimento de Maria Eduarda Cordeiro da Silva, de 20 anos, após o réveillon em Guarujá, no litoral de São Paulo. De acordo com a Polícia Civil, a vítima teria sido executada em um tribunal do crime do Primeiro Comando da Capital (PCC). Maria Eduarda sumiu no dia 2 de janeiro, mas a polícia só confirmou a morte dela em 19 de fevereiro, quando quatro pessoas foram presas por participação no crime. A corporação acredita que a vítima tenha sido 'condenada à morte' por suspeita de integrar uma facção rival, o Comando Vermelho (CV).
Nova prisão
Policiais militares cumpriram o mandado de prisão preventiva contra Alexandre Barros Neves, de 50 anos, na tarde de sexta-feira (24), na Alameda dos Lírios, no bairro Vila Santo Antônio, em Guarujá. A defesa dele não foi localizada até a última atualização desta reportagem. De acordo com a corporação, os agentes realizavam uma operação para prevenção de roubos, quando abordaram o suspeito e constataram que ele estava sendo procurado pela Justiça. Alexandre estava acompanhado de um homem, que foi liberado e não teve a identidade divulgada.
Segundo a denúncia do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), Alexandre e outros dois homens que já foram presos por participação no crime exerciam funções ativas na organização criminosa, atuando na fiscalização, arrebatamento e execução de possíveis rivais no chamado 'tribunal do crime'. Conforme apurado pela Polícia Civil, Alexandre teria sido o responsável por iniciar a caçada atrás de Maria Eduarda e do namorado, que acabou sendo liberado após ser sequestrado com a vítima. As investigações apontaram que o suspeito enviou uma foto da jovem e pediu informações sobre a localização dela em um grupo com integrantes da organização criminosa.
Demais presos
As investigações apontaram que a vítima foi arrebatada e morta por integrantes do crime organizado da região, com apoio de um motorista de aplicativo e de um casal. Além de Alexandre, outras cinco pessoas foram presas. Veja abaixo a participação de cada uma delas:
- Um homem e uma mulher, cujos nomes não foram divulgados, eram amigos da vítima e estavam em um churrasco quando os criminosos chegaram à procura da jovem. No dia seguinte, eles foram até a casa de Maria Eduarda para descartar os pertences dela — ação que dificultaria o desdobramento e elucidação do caso, de acordo com a Polícia Civil.
- Anthony Francisco Dias Moreira, apontado como integrante da facção criminosa e envolvido na execução de Maria Eduarda.
- Um motorista de aplicativo, que não teve a identidade divulgada pela corporação, realizou o transporte de envolvidos no crime ao Estado do Paraná. O motivo da viagem ainda é investigado.
- Adadilton Candido da Silva, de 33 anos, conhecido como DA7, cumpria a função de 'carrasco' do PCC e teria participado do julgamento da vítima no 'tribunal do crime'.
Motivação
O g1 teve acesso aos conteúdos publicados por Maria Eduarda há aproximadamente um ano. A jovem ostentava armas de fogo, usava símbolos e fazia menções ao CV. "Isso [publicações] chamou atenção do próprio crime organizado rival na região. Ela estava morando aqui agora e [...] eles começaram a tentar identificar onde ela estaria, já que fazia várias menções a essa facção criminosa rival", afirmou o delegado na ocasião.
Na época do desaparecimento, a mãe de Maria Eduarda, a balconista Claudieli Natali Cordeiro, de 34 anos, contou ao g1 que a filha se mudou de Curitiba (PR) para Guarujá com o namorado, aproximadamente três meses antes de sumir. Claudieli também disse ter sido informada pelo namorado da filha que a jovem havia sido sequestrada sob a acusação de integrar o CV. A mãe afirmou que Maria Eduarda tinha antecedentes por tráfico de drogas de quando ainda era adolescente, mas ressaltou que, até onde sabia, a jovem estava trabalhando na praia e não tinha mais envolvimento com o crime.



