Mulher é assassinada a facadas após recusar beijo durante negociação de celular em MG
Uma tragédia chocou a cidade de Campos Altos, no Alto Paranaíba mineiro, na última segunda-feira (23). Priscila Beatriz Assis Teixeira, de 38 anos, foi morta a facadas após recusar um beijo durante a negociação pela compra de um celular. O suspeito, Matheus Vinícius de Souza, de 18 anos, está preso e responderá por feminicídio.
Último pedido de proteção nas redes sociais
Horas antes do crime fatal, Priscila fez uma publicação em rede social pedindo proteção divina. “Deus, abra o que for porta, fecha o que for armadilha”, dizia parte da mensagem compartilhada por um de seus irmãos ao g1. O familiar, que preferiu não se identificar, descreveu a irmã como uma mulher bondosa que não costumava ver maldade nas pessoas.
“Tinha muitos sonhos que foram levados embora. Oramos a Deus por justiça e que as leis neste país sejam mais rígidas”, declarou emocionado o irmão da vítima.
Vida interrompida e família devastada
Priscila era cozinheira em um projeto municipal e deixou três filhos meninos de 5, 8 e 13 anos, que agora estão sob responsabilidade dos pais biológicos. O filho do meio, de 8 anos, presenciou o crime e correu pela rua pedindo socorro, sendo acolhido por um vizinho que acionou a ambulância.
“Éramos seis irmãos, cinco homens e a Priscila. Minha irmã foi uma mulher guerreira, trabalhou desde pequena nas lavouras de café, e agora estava fazendo comida para as crianças”, contou outro irmão.
Amigos e familiares lembram Priscila como uma pessoa alegre e mãe exemplar. Matheus Bueno, primo da vítima, afirmou: “Era uma menina de ouro, de uma simplicidade maravilhosa. Desejo que ela descanse em paz e saiba o quanto é amada por toda a família”.
Samara Braz, amiga próxima, guardará a imagem de Priscila sempre dando tchau com um sorriso no rosto. “Eu vou lembrar do sorrisão dela”, disse emocionada.
Detalhes do crime brutal
De acordo com o delegado Jeferson Leal, responsável pelo caso, Matheus Vinícius foi até a residência de Priscila no bairro Camposaltinhos para negociar um aparelho celular. Durante a conversa, tentou forçar um beijo e, ao ser recusado, iniciou uma briga com a vítima.
Imagens de câmeras de monitoramento registraram o momento em que o suspeito chegou à casa de Priscila. Ele usava calça jeans, bota amarela, jaqueta escura e boné preto. Outras gravações, não divulgadas, ajudaram a traçar sua rota de fuga após o crime.
À Polícia Civil, Matheus afirmou que o episódio foi uma “besteira” e uma “burrice”. “Ele disse que no momento da recusa da mulher, deu um ‘branco’ em sua cabeça e atingiu a vítima com vários golpes de canivete”, relatou o delegado.
Priscila foi levada ainda consciente ao Hospital Municipal de Campos Altos, mas não resistiu aos ferimentos e morreu na unidade de saúde. O sepultamento ocorreu na manhã de quarta-feira (25), no Cemitério Municipal da cidade.
Fuga e prisão do suspeito
Durante a fuga, Matheus pulou muros de várias casas do bairro até acessar outra rua. Uma testemunha reconheceu o homem como a pessoa que invadiu seu imóvel na tentativa de escapar. O filho de 8 anos da vítima também descreveu características físicas e roupas compatíveis com as imagens.
A Polícia Militar recebeu informações de que um homem tentava contratar um táxi, alegando ter cometido “um fato grave” e precisando sair urgentemente de Campos Altos para Medeiros. Através do nome e foto vinculados a um perfil de aplicativo de mensagens, os militares identificaram o possível endereço do suspeito.
No local, Matheus foi encontrado e preso. Roupas sujas de barro e molhadas, compatíveis com as registradas nas câmeras, também foram apreendidas. O suspeito confessou o crime e reconheceu o canivete de cabo azul encontrado na casa de Priscila como a arma usada no feminicídio.
Processo judicial em andamento
Matheus Vinícius de Souza está preso no Presídio Regional de Araxá, onde responderá por feminicídio. A Polícia Civil informou que o suspeito não tinha antecedentes criminais. Ele passou por exame de corpo de delito, foi ouvido e encaminhado ao sistema prisional.
As investigações ainda não foram concluídas, mas o caso já mobiliza a comunidade de Campos Altos, que clama por justiça para Priscila e seus três filhos órfãos. A tragédia reforça o debate sobre violência contra mulheres e a necessidade de medidas mais efetivas de proteção.



