Mulher sofre agressões de agiota em Franca por dívida de R$ 1 mil
Uma mulher foi vítima de ameaças e agressões físicas por parte de um agiota em frente à sua residência, localizada em Franca, no interior de São Paulo. O motivo do ataque foi uma dívida no valor de R$ 1 mil. A vítima, que não teve a identidade divulgada, registrou um boletim de ocorrência na Polícia Civil, detalhando o episódio de violência que ocorreu no dia 27 de janeiro.
Suspeito identificado e histórico criminoso
O agressor foi identificado como Ronny Hernandes Alves dos Santos, de 40 anos, que já é investigado por seu envolvimento em uma quadrilha especializada em práticas de extorsão e agiotagem na região de Franca. Câmeras de segurança instaladas na casa da mulher capturaram todo o incidente, mostrando o momento em que Ronny, acompanhado por mais dois homens, iniciou uma conversa com a vítima.
Nas imagens, é possível observar a mulher explicando que não possuía o dinheiro naquele instante. A partir dessa negativa, as ameaças começaram e, em seguida, evoluíram para agressões físicas. A discussão teve início no portão da residência e se estendeu até a rua, onde a vítima foi atingida com socos na cabeça.
Contexto da dívida e acordo fracassado
Segundo o relato da mulher à polícia, ela contraiu o empréstimo há alguns anos e vinha realizando os pagamentos em dia. No entanto, em 2023, Ronny foi preso durante uma operação conjunta da Polícia Civil e do Ministério Público, que investigava uma organização criminosa de agiotagem atuante em Franca. Após ser liberado da prisão, o agiota entrou em contato com a filha da vítima, cobrando o saldo restante de R$ 1 mil.
Foi estabelecido um acordo para quitar a dívida em dez parcelas mensais de R$ 100, com vencimento no dia 25 de cada mês. No dia 25 de janeiro, a mulher informou a Ronny que não tinha o valor disponível. No dia seguinte, ele insistiu na cobrança e, como não obteve resposta, decidiu ir pessoalmente à casa dela no dia 27.
Violência registrada e novas ameaças
Durante o confronto, a vítima tentou se defender, mas Ronny continuou a agredi-la. Após as agressões, ele e seus acompanhantes entraram em um veículo e fugiram do local. Posteriormente, o agiota enviou uma mensagem à filha da mulher, ameaçando que "a situação iria ficar ainda pior". Com medo de represálias, a mulher procurou as autoridades policiais para formalizar a denúncia.
Depoimentos e andamento processual
Tanto a vítima quanto Ronny compareceram à delegacia para prestar depoimento. O suspeito optou por permanecer em silêncio durante o interrogatório. Ronny havia sido absolvido nas investigações anteriores sobre a quadrilha de agiotagem, mas o processo judicial ainda está em tramitação. O Ministério Público recorreu da decisão de absolvição e pode utilizar as novas agressões como evidência adicional no caso.
Operação Castelo de Areia e quadrilha milionária
A Operação Castelo de Areia, deflagrada entre novembro de 2023 e janeiro de 2024, resultou na prisão de sete indivíduos suspeitos de movimentar cerca de R$ 36 milhões por meio de agiotagem. Em dezembro, todos os acusados, incluindo o ex-policial civil Rogério Camillo Requel, foram condenados a 20 anos de prisão. Requel teria recebido aproximadamente R$ 340 mil provenientes do esquema em um período de três meses.
As investigações revelaram que o grupo oferecia empréstimos a juros abusivos e utilizava ameaças graves para cobrar as dívidas. Os líderes da organização eram pai, filho e sobrinho. Cópias de conversas obtidas pelo Ministério Público com autorização judicial comprovam a violência empregada pela quadrilha para recuperar os valores emprestados.
Ronny era um dos integrantes responsáveis por ameaçar de morte os devedores e suas famílias. De acordo com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), mesmo após as prisões iniciais, outros membros mantiveram as atividades criminosas, afirmando em diálogos internos que nada os intimidaria e que jamais seriam punidos. Isso motivou uma segunda fase da operação, em junho deste ano, que apontou uma nova movimentação financeira de aproximadamente R$ 31 milhões.



