Motorista com extensa ficha criminal é preso por abusar de adolescente de 13 anos em viagem de SP a MG
Motorista preso por abusar de adolescente em viagem de SP a MG

Motorista com extenso histórico criminal é preso por abuso sexual de adolescente durante viagem interestadual

Um caso grave de violência sexual contra uma adolescente de 13 anos chocou as autoridades policiais neste fim de semana. Gustavo Victor da Silva, de 27 anos, foi preso suspeito de abusar sexualmente da menor durante uma viagem de carona entre São Paulo e Uberlândia, no Triângulo Mineiro. O indivíduo possui uma ficha criminal extensa, incluindo registros por ameaça, porte ilegal de arma de fogo, roubo, estelionato, furto, fraude eletrônica, apropriação indébita e homicídio.

Detalhes do crime e prisão do suspeito

O caso foi registrado como estupro de vulnerável no sábado (7), após a Polícia Militar receber informações sobre o desaparecimento da adolescente. Durante as buscas, os policiais contataram o pai da menina, que relatou que a filha havia saído de casa sem autorização e estaria em uma residência na rua Alan Kardec, no bairro Shopping Park, em Uberlândia.

A prisão de Gustavo ocorreu na BR-070, em Águas Lindas de Goiás, durante uma operação conjunta das polícias. Agora, ele poderá responder pelos crimes de sequestro e estupro de vulnerável. O caso foi registrado pela Polícia Civil, e a unidade responsável pela investigação ainda será definida.

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No Brasil, o sequestro prevê pena de 1 a 3 anos de prisão, enquanto o estupro de vulnerável tem pena de 8 a 15 anos de reclusão, conforme o Código Penal Brasileiro. Além disso, se os dois crimes ocorrerem juntos, as penas podem ser somadas pela Justiça.

Como a viagem foi organizada e os abusos ocorreram

A adolescente foi localizada em Uberlândia após sair de São Paulo sem a permissão dos pais para encontrar dois amigos que conheceu pela internet. Os militares encontraram a menina no endereço informado no bairro Shopping Park. Ela contou à PM que conheceu o casal de amigos, também menores de idade, pela internet, e que a amiga insistiu para que fosse até Uberlândia conhecê-los.

A viagem foi paga por um dos amigos, que contratou o serviço por meio do aplicativo BlaBlaCar. De acordo com o relato da vítima, a corrida indicava como motorista uma pessoa identificada como “Mirian”, em um carro modelo Logan cinza. No entanto, quem apareceu no local combinado foi o suspeito, Gustavo Victor da Silva.

Ainda segundo a menina, havia outro passageiro no veículo, que dormiu durante o trajeto e não teria presenciado os abusos. A vítima relatou à PM que, durante o trajeto, o motorista passou a mão nas pernas dela e também em suas partes íntimas. A menina contou que cedeu por medo de o motorista fazer algo pior.

A adolescente ainda afirmou que Gustavo a obrigou a tocar no órgão genital dele e enviou mensagens insistindo para que ela fizesse sexo oral, oferecendo pagamento em troca. A Polícia Militar não informou em que momento da viagem ocorreu a troca de mensagens, nem se os pedidos foram feitos dessa forma para evitar que o outro passageiro escutasse. A menor também contou que, durante uma parada em um posto de combustíveis, o motorista teria comprado bebida alcoólica e a feito beber.

Papel dos amigos virtuais e valor simbólico da viagem

De acordo com o conselheiro tutelar que acompanha o caso, Daniel Negrão, a menina foi convencida, por meio de conversas nas redes sociais com os dois adolescentes de Uberlândia, a viajar para a cidade sem avisar a mãe para poder conhecê-los. Eles criaram uma conta no aplicativo e pagaram R$ 50 pela viagem, valor simbólico para um trajeto que custaria normalmente R$ 190.

"Eles fizeram um pagamento simbólico de R$ 50 em uma viagem que custaria R$ 190. E o rapaz, simplesmente, eu acredito, que já com uma má intenção, colocou ela dentro do carro e abusou dela no meio do caminho", disse o conselheiro.

Negrão acredita que o caso poderia ter terminado em tragédia, principalmente pela idade da vítima e pelo histórico do suspeito. “Eu não tenho dúvidas de que a tragédia seria maior. Primeiro, pelo histórico que ele tem. Segundo, uma menina de 13 anos, inexperiente, muito simples, o jeito dela conversar, a forma dela raciocinar.”

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O conselheiro ainda destacou que, quando o motorista já estava chegando em Uberlândia, um dos amigos virtuais da menina começou a dizer no áudio do celular dela para o motorista: 'Eu estou te monitorando, eu sei quem você é'. "Eu acho que isso salvou a menina", finalizou.

Chegada a Uberlândia e atendimento à vítima

Ao chegar a Uberlândia, a menina foi deixada em um local diferente do combinado no aplicativo. O encontro seria na Estação Ferroviária, no bairro Custódio Pereira. A adolescente contou ainda que pediu ajuda a um desconhecido, que a deixou na rua Piauí. No local, ela conseguiu entrar em contato com os amigos que conheceu pela internet.

Na casa, os moradores disseram à polícia que o filho deles, um dos amigos da adolescente, pediu que ela pudesse ficar no imóvel e permitiram. A menina chegou na casa por volta de 7h.

Após ouvirem o relato da menina, os policiais a encaminharam ao Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU), onde recebeu atendimento médico e psicológico. Ela também ficou sob acompanhamento do Conselho Tutelar, que entrou em contato com a família para que pudesse buscá-la na cidade.

Posicionamento da BlaBlaCar e medidas de segurança

Em nota, o BlaBlaCar afirmou que a empresa já está colaborando com as autoridades e permanece à disposição para contribuir com as investigações. A empresa destacou que, de acordo com as informações disponíveis até o momento, não há registro de que a viagem tenha sido reservada por meio da plataforma, nem foi identificado nenhum perfil com os dados da vítima.

A BlaBlaCar identificou que o nome informado pela reportagem, que seria supostamente da mãe do acusado, possuía um perfil na plataforma, que foi imediatamente bloqueado. A empresa reforçou que o cadastro e uso da plataforma são permitidos apenas para maiores de 18 anos e orienta que todas as interações entre membros sejam realizadas exclusivamente dentro da plataforma.

Viagens combinadas fora do aplicativo não são viagens pela BlaBlaCar e não contam com as ferramentas tecnológicas e processos de segurança oferecidos pela plataforma. A empresa conta com equipes e sistemas dedicados ao monitoramento de comportamentos para identificar violações aos Termos e Condições de uso.