O programa Fantástico, exibido no último domingo (3), trouxe à tona denúncias graves contra o mestre de jiu-jitsu e policial civil Melqui Galvão. Ele é acusado de manipulação, ameaça e abuso sexual de alunas adolescentes, o que resultou em sua prisão temporária. A reportagem completa pode ser conferida no vídeo acima.
Relatos das vítimas
Uma das vítimas, ainda adolescente, contou que havia acabado de ingressar na equipe quando viajou com o treinador para um torneio no exterior. Durante a viagem, segundo o relato, Melqui ofereceu um remédio para que ela “relaxasse” antes da competição. Após tomar a substância e adormecer, a jovem afirma que acordou com o treinador tocando seu corpo. “Ele colocou a mão dentro da minha blusa e foi a hora que eu acordei, foi o momento de eu tirar a mão dele dentro da minha blusa, mas eu fiquei com muito medo ali na hora e eu acordei num susto”, afirmou.
Em outra denúncia, uma ex-aluna afirma que começou a treinar com Melqui ainda criança e que os assédios teriam começado quando ela tinha 12 anos. Dois anos depois, segundo o depoimento, o treinador teria mantido relação sexual com ela. A vítima relata que, à época, tinha medo de denunciar. “Ele sempre quis passar para mim que era uma situação muito normal, que ele já tinha relações com outros alunos”, conta a vítima.
Uma terceira vítima, também menor de idade, relatou em depoimento que não sofreu abuso sexual, mas afirmou que o treinador restringia a alimentação das atletas e sugeria concessões ou vantagens em troca de aproximações.
Suposto padrão de conduta
Segundo a polícia, após a prisão de Melqui, novas denúncias informais começaram a surgir, indicando um possível padrão de conduta semelhante ao longo dos anos. “A gente percebe a existência de um padrão de conduta que consiste em uma aproximação inicial devido à figura de líder, de um atleta renomado. Ele ganha a confiança da vítima e da família. Aí vai escalonando as condutas até chegar aos abusos”, afirmou a delegada Mariene Andrade.
Os relatos também apontam que Melqui usava a condição de policial civil para intimidar e manipular as vítimas. “Uma das vítimas mencionou que ele falou claramente que se ela fizesse a denúncia, ele saberia porque ele é policial civil”, disse a delegada.
Prisão e investigação
De acordo com a Polícia Civil, três ex-alunas formalizaram denúncias contra o treinador. A Justiça de São Paulo autorizou a prisão temporária após identificar indícios de que ele estaria tentando atrapalhar as investigações e suprimir provas. Também foi determinada a quebra do sigilo de aparelhos celulares e dispositivos de informática ligados ao investigado. Ele responde por crimes como importunação sexual, estupro de vulnerável, invasão de dispositivo informático e ameaça.
Após a prisão, ocorrida em Manaus, onde Melqui atua como policial civil, o filho dele, Mica Galvão, publicou uma mensagem em rede social afirmando que vive um momento difícil, declarou amor pelo pai, mas defendeu que os fatos sejam investigados com seriedade e que a Justiça cumpra seu papel. A defesa do treinador afirma que ele é inocente, diz que ainda não teve acesso completo aos materiais apresentados e ressalta que o cliente está à disposição das autoridades, aguardando o esclarecimento dos fatos.
As vítimas dizem esperar que o caso resulte em punição e sirva para proteger outras jovens atletas. “A luta mais difícil que eu já ganhei foi essa”, afirmou uma das adolescentes.



