Jovem desaparecida é encontrada morta em Araguari; suspeito confessa crime
Jovem desaparecida é morta em Araguari; suspeito confessa

Jovem desaparecida é encontrada morta em Araguari; suspeito confessa crime

Na tarde do dia 9 de janeiro, Joyce Karoline Silva e sua mãe, Andréia Souza da Silva, compartilharam um momento especial juntas. Andréia contou ao g1 que estava tomando banho quando a filha chegou em casa com um bolo. Inicialmente relutante, Andréia acabou cedendo à insistência espontânea de Joyce, e as duas sentaram na frente da casa no distrito de Dolearina, em Estrela do Sul, no Triângulo Mineiro, para comer o bolo ainda quente.

"Nós sentamos na frente de casa e comemos bolo, só nós duas. Lembro que conversamos muito, brincamos uma com a outra. Essa é minha última memória com ela e é a que guardo", disse Andréia, emocionada.

Desaparecimento e descoberta trágica

Dias depois, na tarde de 13 de janeiro, Joyce foi morta enquanto realizava um programa com Vanderlândio Pinto Rodrigues em Araguari, também no Triângulo Mineiro. Segundo a Polícia Civil, a suspeita é que ela tenha sido atingida no pescoço por um objeto perfurante. A perícia ainda confirmará as circunstâncias da morte após a finalização dos laudos.

Andréia descreveu a filha como uma menina diferente dos demais familiares: extrovertida, falante, cheia de vida e com grandes sonhos. "A gente tinha um combinado de sempre se atualizar por mensagens até o dia que o silêncio veio. Mesmo longe sempre sabíamos o que ela estava fazendo. Nossa relação não era de segredos", finalizou a mãe.

Corpo escondido e descoberta macabra

De acordo com a delegada Paula Fernanda de Oliveira, após a morte da garota de programa de 25 anos, Vanderlândio arrastou o corpo até a cozinha e o manteve escondido atrás de um biombo. O corpo de Joyce ficou quatro dias na cozinha da casa antes de ser colocado sob entulho no quintal de uma colônia de três casas no Bairro São Sebastião, em Araguari.

"Ela ficou ali se decompondo e passou a expelir um forte cheiro que passou a desagradar os vizinhos. Durante esse período ele não foi trabalhar na lavoura de café como de costume, e quando era questionado pelos vizinhos sobre o cheiro que vinha de sua casa, alegava se tratar de um gato morto no forro", explicou a delegada.

Na noite do dia 17 de janeiro, Vanderlândio enrolou o corpo nu de Joyce em um pano, a colocou nos ombros e andou até o quintal da colônia de casas, que tem pelo menos 80 metros de largura. Três dias depois, na terça-feira (20), o corpo da jovem foi descoberto por uma moradora que usa o terreno para criar galinhas e sentiu um cheiro forte vindo dos fundos da área.

Confissão e investigações em andamento

Após a denúncia do crime, o homem de 28 anos confessou o assassinato de Joyce e foi preso. No entanto, durante depoimento ele afirmou que a morte foi um acidente enquanto eles mantinham relação sexual. A delegada Paula Fernanda de Oliveira destacou que a análise do crime apontou que o ferimento provavelmente foi causado por um instrumento cortante.

"A declaração dele é muito sucinta. Ele diz apenas que enquanto eles mantinham relação, ela passou a vomitar sangue. Aguardamos a análise pericial das roupas e DNA encontrados", contou a delegada.

Segundo o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), a audiência de custódia confirmou a conversão da prisão, e o homem foi encaminhado para o Presídio de Araguari. O suspeito pode responder por feminicídio e ocultação de cadáver.

Últimos momentos e impacto familiar

Joyce saiu de casa no distrito de Dolearina, em Estrela do Sul, para trabalhar em Araguari no dia 13 de janeiro. Conforme relatos, ela foi até uma zona boêmia, deixou o local por volta de 13h30 para atender a um programa marcado por site, e chegou à casa de Vanderlândio às 14h36, conforme câmeras de monitoramento.

A família estranhou o sumiço de Joyce, que não deu mais notícias nem apareceu nas redes sociais, e relatou o desaparecimento na quinta-feira (15). As polícias Militar e Civil iniciaram as investigações, culminando na descoberta do corpo na terça-feira (20).

Joyce Karoline era alegre e deixou três filhos de 8, 6 e 3 anos, que já viviam com o pai. Andréia expressou seu desejo de que a filha tivesse deixado a profissão e voltado para casa. "É muito triste descobrir a morte de uma filha desse jeito. Meu sonho era que ela ficasse com os três filhos", lamentou a mãe.