Assassinato de jovem de 17 anos em SP completa 1 ano e meio sem solução; família critica demora
Jovem assassinada em SP há 1 ano e meio; família critica investigação

Assassinato de jovem de 17 anos em SP completa 1 ano e meio sem solução

A jovem Luciana Vitória da Conceição Guerra, de 17 anos, tinha um futuro promissor pela frente. Moradora da periferia de São Paulo, ela estava no último ano do Ensino Médio e sonhava em estudar psicologia na faculdade. Estudiosa, desenhista e participante ativa de projetos sociais, sua vida foi brutalmente interrompida em 21 de agosto de 2024.

O crime e o socorro

No fim da tarde daquele dia, seu irmão, Lucas Miller Ramos, retornou para casa no bairro Guacuri, na Zona Sul da capital, e encontrou a porta trancada. Após conseguir abri-la com a ajuda de vizinhos, deparou-se com a irmã desacordada no chão do quarto. Luciana estava seminua, vestindo apenas uma calça jeans, com a cabeça coberta pela perna de uma segunda calça enrolada ao redor do pescoço. A outra perna da peça estava presa a um dos seus pés.

Em choque, Lucas e um vizinho cortaram a calça com uma faca de serra e levaram a adolescente para a Unidade de Pronto-Atendimento Parque Doroteia. Infelizmente, ela não resistiu e morreu. A mãe, Mônica Maria da Conceição, que trabalhava como vigilante em um banco na Avenida Paulista, recebeu a trágica notícia após o expediente.

Investigação lenta e laudos reveladores

Laudos do Instituto de Criminalística, aos quais o g1 teve acesso, apontaram que a causa da morte foi asfixia mecânica por esganadura. A perícia também identificou sêmen na calcinha da jovem e manchas de sangue na calça jeans. Inicialmente registrado como morte suspeita, o caso foi reclassificado como homicídio doloso cerca de seis meses depois, com a polícia apurando também um eventual estupro.

O exame necroscópico revelou sinais claros de violência: manchas arroxeadas no pescoço e abaixo do queixo, hematomas nas duas pálpebras e escoriações no pescoço com formato semelhante a marcas de unhas. Apesar das evidências, após um ano e meio do crime, a polícia ainda não apontou suspeitos.

Família desesperada por respostas

Mônica, a mãe de Luciana, critica veementemente a demora na investigação. "Minha vida está destruída. Eu vendi a minha casa, tive que ir para outro lugar. Eu ando sempre com medo e preocupada", desabafa. Ela acredita que o crime pode ter sido cometido por alguém conhecido, já que a casa não apresentava sinais de arrombamento e nada foi roubado, incluindo o celular da vítima.

Um dos principais caminhos para identificar o autor seria a comparação do DNA do sêmen encontrado com o material genético de familiares e vizinhos, coletado no início do ano passado. No entanto, esses exames ainda não foram concluídos. A perícia no celular da jovem também aguarda realização.

Lacunas nas câmeras de segurança

Uma câmera de segurança de um vizinho registrou a movimentação da rua no dia do crime, mas funciona com sensor de movimento, o que gerou lacunas nas gravações. O advogado da família, Ewerton Carvalho, afirma que há um intervalo específico — entre cerca de 15h e 16h — justamente no período em que o crime pode ter ocorrido. "Analisamos boa parte das imagens fornecidas à família e não aparece o momento exato em que o assassino entra ou sai", disse ao g1.

Carvalho também destaca que o dono do imóvel onde a câmera está instalada ainda não foi ouvido pela polícia para explicar essas falhas. "A família acredita que há falhas na investigação, principalmente em relação às câmeras e à falta do exame de DNA até agora", completa.

Quem era Luciana

Luciana era uma jovem doce e dedicada. Além dos estudos, tinha paixão pelas artes, gostava de desenhar e pintar — Mônica ainda guarda quadros feitos pela filha. Ela admirava músicos como Michael Jackson, BTS e Tim Maia, e participava com entusiasmo de cursos profissionalizantes e estágios voluntários em projetos sociais. "Era minha melhor amiga, minha companheira. Ela me dava conselhos, me dava carinho nos momentos mais difíceis", recorda a mãe.

Impacto devastador na família

A morte de Luciana também interrompeu os planos de Mônica, que se formou em direito em 2024 e se preparava para prestar o exame da OAB. Desde o assassinato, ela não conseguiu retomar os estudos. "Eu estava me preparando para a prova, mas depois que perdi minha filha não consegui mais focar. Essa pessoa acabou com o meu psicológico", lamenta.

A Secretaria da Segurança Pública (SSP), questionada sobre a demora nos exames, não respondeu diretamente. Em nota, afirmou apenas que "segue empenhada no esclarecimento das circunstâncias do crime e na conclusão do caso". Enquanto isso, a família aguarda, angustiada, por justiça e respostas que possam trazer algum alívio ao luto insuportável.