Homem investigado por assédio sexual em ônibus presta depoimento na delegacia
O homem filmado por uma jovem supostamente se masturbando ao seu lado dentro de um ônibus no Rio de Janeiro prestou depoimento nesta quinta-feira (12) na 15ª Delegacia de Polícia (DP) da Gávea. Identificado como João Victor Raphael Freitas, ele deixou a unidade policial sem conversar com a imprensa e agora é investigado pelo crime de importunação sexual, conforme o artigo 215-A do Código Penal.
Reconhecimento e silêncio sobre o ato
Durante o depoimento, João Victor admitiu estar presente no ônibus no momento do ocorrido e confirmou que perguntou as horas para a adolescente. No entanto, ao ser questionado especificamente sobre a acusação de ter se masturbado no coletivo, ele optou por não se manifestar, declarando que só falará sobre o caso em juízo. A delegada titular da 15ª DP, Daniela Terra, explicou a gravidade da situação.
"Ele está respondendo por importunação sexual. É o crime do artigo 215-A pelo fato de ele ter exposto não só a vítima, como toda a sociedade, acabando com a liberdade de ir e vir de uma mulher dentro de um transporte público", afirmou a autoridade policial.
A delegada acrescentou que, apesar de o investigado ter reconhecido sua presença no local, ele se recusou a comentar o ato em si. "Ele na declaração que prestou aqui na delegacia, ele reconheceu que era ele que estava no ônibus, ele se reconheceu, mas não quis falar nada sobre o ato em si", detalhou Daniela Terra.
Nova vítima surge e relata episódios anteriores
Paralelamente ao depoimento, uma outra mulher entrou em contato com a reportagem e afirmou ter reconhecido João Victor nas imagens divulgadas. Ela relatou ter passado por duas situações perturbadoras com o mesmo homem aproximadamente um ano atrás, ambas em ônibus na região de Benfica, na Zona Norte do Rio.
Segundo seu relato, na primeira ocasião, ele teria jogado algo em seu short e usado um saco plástico como pretexto para passar a mão nela. "Eu não entendi porque tinha saído de casa limpa. Só depois caiu a ficha de que ele estava fazendo isso para passar a mão em mim", contou.
Na segunda vez, já durante a noite, ela notou a entrada dele no ônibus e, ao descer, percebeu que ele desceu no mesmo ponto, novamente comentando que sua calça estava suja. "Eu lembro que reagi e comecei a falar alto, aí ele saiu", relembrou. A mulher admitiu não ter registrado as ocorrências nem levado o caso à polícia na época.
Contexto do caso original e repercussão
O episódio que deu origem à investigação ocorreu na terça-feira (10), quando uma jovem de 18 anos postou um vídeo nas redes sociais mostrando um homem fazendo movimentos com a mão sobre a região genital ao lado dela no ônibus 565 (Tanque x Gávea). No post, ela descreveu: "Ele estava se masturbando e me olhando fixamente. Imediatamente, gravei o momento e desci do ônibus na passarela da Barra. Antes de eu sair, ele ainda tentou me impedir de descer, dizendo algo".
O material rapidamente viralizou, ultrapassando 700 mil visualizações em apenas uma hora, e levou à identificação do acusado como suposto aluno e funcionário da PUC-Rio. A universidade emitiu uma nota afirmando que, caso seja confirmado o vínculo, tomará as "medidas cabíveis" e que "condena todo e qualquer tipo de assédio".
A adolescente detalhou que, após sair da escola na Zona Sul, pegou o ônibus para chegar mais cedo em casa. Na altura da Rocinha, o homem entrou no coletivo, sentou-se ao lado dela e perguntou as horas. "Algo me deu na cabeça para eu olhar para o lado e eu vi ele tocando nas partes íntimas dele. Eu pensei 'não vou ficar olhando, vou gravar um vídeo'", relatou.
Ela ainda expressou o medo que sentiu durante e após o ocorrido: "Eu me desesperei, parece que ele tava gostando de eu ter visto ele se tocando. Eu levantei para sair logo daquela situação e ele ficou me chamando, falando para eu não descer. Eu saí basicamente correndo para pegar outro ônibus com medo de ele vir atrás de mim".
Próximos passos da investigação
A delegada Daniela Terra informou que a vítima original será chamada novamente para realizar um reconhecimento formal do acusado. Além disso, a polícia fez um apelo público para que outras possíveis vítimas do mesmo autor compareçam à 15ª DP da Gávea para registrar ocorrências, ampliando as investigações sobre um possível padrão de comportamento.
O caso segue sob análise das autoridades, que buscam reunir provas e testemunhos para dar andamento ao processo legal, reforçando a importância do combate à importunação sexual no transporte público e a necessidade de denúncias para coibir tais práticas.
