O influenciador digital Giliard Vidal dos Santos, filho da advogada e influenciadora Deolane Bezerra, utilizou suas redes sociais nesta quinta-feira, 21, para expressar sua indignação após a prisão da mãe. Deolane foi detida sob suspeita de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro em parceria com integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). Giliard, que também é alvo da operação, com mandados de busca e apreensão cumpridos, classificou o caso como um “espetáculo” e criticou o tratamento das pessoas envolvidas como “culpadas antes do devido processo legal”.
O desabafo de Giliard
“Hoje, mais uma vez, tentam transformar suposições em verdades e manchetes em condenações. A prisão de Deolane Bezerra, sob alegações de participação em organização criminosa, nasce cercada de ilações, narrativas e perseguições que já se repetem há tempos. Acusar é fácil. Difícil é provar”, escreveu Giliard em uma publicação no Instagram, onde acumula 1,4 milhão de seguidores. Ele prosseguiu: “No Brasil, infelizmente, muitas vezes primeiro se expõe, se destrói a imagem e se condena perante a opinião pública… para só depois buscar provas que sustentem aquilo que foi dito. E isso é grave. Não se pode admitir que a Justiça seja usada como espetáculo, nem que pessoas sejam tratadas como culpadas antes do devido processo legal. Prisão não pode ser instrumento de pressão, marketing ou vingança social.”
Detalhes da operação Vérnix
A operação, denominada Vérnix, foi conduzida pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil, com mandados de prisão preventiva contra seis pessoas, incluindo Deolane Bezerra e Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como líder do PCC e já detido. Também foram presos Everton de Souza, conhecido como Player, apontado como operador financeiro, e Paloma Sanches Herbas Camacho, sobrinha de Marcola, que se encontra em Madri, na Espanha. A polícia ainda busca Alejandro Camacho, irmão de Marcola, e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, sobrinho do criminoso, que supostamente estão na Bolívia.
As autoridades determinaram o bloqueio de R$ 357,5 milhões das contas dos investigados e o sequestro de 17 veículos, incluindo automóveis de luxo avaliados em mais de R$ 8 milhões, além de imóveis vinculados aos suspeitos. Deolane foi presa por volta das 6h30, quando cerca de dez viaturas policiais se dirigiram ao condomínio onde ela reside, em Alphaville. Ela havia retornado ao Brasil na véspera, após uma viagem à Itália, e teve seu nome incluído na lista de procurados da Interpol.
O esquema investigado
A investigação, conduzida pela Central de Polícia Judiciária de Presidente Venceslau e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Presidente Prudente, apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro com ramificações empresariais, patrimoniais e financeiras envolvendo Deolane Bezerra e membros do PCC. Segundo os investigadores, foram identificadas movimentações milionárias sem lastro econômico compatível, uso de empresas de fachada, contas para circulação de valores e aquisição de bens de alto padrão para ocultar a origem ilícita dos recursos. O caso teve início em 2019, quando bilhetes e manuscritos foram apreendidos na Penitenciária II de Presidente Venceslau, indicando a atuação de lideranças criminosas e possíveis ameaças contra agentes públicos. Posteriormente, a apreensão de um celular em uma operação anterior, a Lado a Lado, revelou conversas com pessoas ligadas à cúpula do PCC e indícios de repasses financeiros.
Repercussão e defesa
Giliard Vidal, que não foi detido, mas teve mandados de busca e apreensão cumpridos, defendeu a inocência da mãe e criticou a exposição midiática do caso. “Quem conhece a história, a luta e a trajetória dela sabe que existe uma diferença enorme entre fatos e narrativas criadas para alimentar ataques. Seguiremos confiando na verdade, na Justiça e no direito de defesa, porque perseguição continua sendo perseguição, mesmo quando tentam dar a ela outro nome”, concluiu. A reportagem tenta contato com os advogados dos envolvidos, e o espaço está aberto para manifestações.



