Família é feita refém e obrigada a transferir R$ 140 mil em assalto a sítio em Guararema
Família refém transfere R$ 140 mil em assalto a sítio em Guararema

Família sofre sequestro e extorsão em invasão violenta a propriedade rural em Guararema

Um grupo fortemente armado invadiu uma propriedade rural no condomínio de sítios do bairro Jardim Luiza, em Guararema, na manhã deste domingo (22), submetendo seis pessoas a um cenário de terror que durou horas. A ação criminosa resultou na transferência forçada de R$ 140 mil e mobilizou uma extensa operação policial com helicópteros e equipes especiais.

Sequestro familiar com crianças e ameaças de execução

Por volta das 6h30, pelo menos oito homens armados renderam uma família composta por um casal de 64 anos, uma idosa de 85 anos e duas crianças de 5 e 7 anos. Os criminosos, descritos como extremamente violentos, separaram os familiares em diferentes cômodos da propriedade e iniciaram um processo meticuloso de extorsão bancária.

Em depoimento à polícia, o homem de 64 anos relatou que foi ameaçado com uma arma apontada diretamente para sua cabeça quando errou uma das senhas bancárias. "Se você errar a senha de novo, vou dar um tiro na sua cabeça", ameaçou um dos assaltantes, segundo o relato da vítima.

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Transferência forçada com reconhecimento facial e orientação remota

Para conseguir acessar os R$ 140 mil que estavam em uma aplicação financeira, os criminosos forçaram a vítima a realizar um reconhecimento facial através do celular. Durante todo o processo, os assaltantes mantinham contato por chamada de vídeo com outros comparsas que orientavam remotamente como realizar as transações bancárias.

A sofisticação do método demonstra um planejamento detalhado da ação criminosa, com os bandidos utilizando tecnologia para burlar sistemas de segurança bancária enquanto mantinham a família sob constante ameaça.

Resposta policial com troca de tiros e operação de grande porte

A Polícia Militar foi acionada após a Guarda Municipal de Itaquaquecetuba identificar indícios de um roubo em andamento. Ao chegarem ao local, as equipes foram recebidas com disparos de arma de fogo, embora ninguém tenha sido ferido no confronto.

Os criminosos fugiram para uma extensa área de mata, desencadeando uma operação de busca que envolveu:

  • Diversas equipes da Polícia Militar
  • Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep)
  • Dois helicópteros Águia da PM
  • Policiais de Salesópolis, Santa Branca e Mogi das Cruzes

Durante a varredura na mata, os policiais encontraram pertences das vítimas e armas abandonadas pelos criminosos, incluindo dois revólveres calibre 38 e carregadores com 33 munições de 9mm.

Quatro prisões em flagrante e apreensões significativas

Horas após o crime, a polícia recebeu informações que levaram à identificação de um veículo HB20 utilizado pelos suspeitos. Com apoio do sistema de monitoramento de Guararema, o carro foi localizado na região central da cidade, resultando na prisão de dois homens.

As investigações, auxiliadas por câmeras de segurança, revelaram ainda a participação de uma motocicleta e de um segundo HB20 na ação criminosa. Os veículos foram abordados em rodovias de Itaquaquecetuba e Mogi das Cruzes, levando a mais duas prisões:

  1. Na motocicleta, um homem que atuava como "batedor", alertando a quadrilha sobre movimentações policiais
  2. No segundo carro, um suspeito foi preso com roupas táticas, toucas ninja e outros itens identificados pelas vítimas como utilizados durante o assalto

No total, foram apreendidos três armas de fogo, munições de diversos calibres, celulares e objetos utilizados no crime. A Delegacia de Guararema registrou o caso como roubo, extorsão e tentativa de homicídio, enquanto a Polícia Civil continua investigando a possível participação de outros envolvidos que conseguiram fugir.

Propriedade em região estratégica com mais de 40 sítios

A propriedade rural invadida faz parte de um condomínio que abriga mais de 40 sítios e possui divisas com os municípios de Salesópolis e Santa Branca. A localização em área rural, próxima a extensas matas, facilitou tanto a ação dos criminosos quanto sua fuga inicial, exigindo uma resposta coordenada de forças policiais de múltiplas cidades da região do Alto Tietê.

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O caso expõe a vulnerabilidade de propriedades rurais mesmo em condomínios e a sofisticação crescente de grupos criminosos que utilizam tecnologia para crimes de extorsão bancária, mantendo famílias inteiras como reféns em seus próprios lares.