Entregador sofre agressão e ameaças após ser confundido com assaltante em Maceió
O entregador por aplicativo Gabriel Godoy, de 21 anos, denunciou ter sido vítima de uma grave agressão física após ser confundido com um assaltante no bairro do Antares, em Maceió. O episódio violento ocorreu na última quarta-feira, dia 15, enquanto o jovem realizava uma entrega de rotina em seu trabalho.
Confusão durante entrega leva a violência
Gabriel, que trabalha há aproximadamente um mês e meio como entregador, explicou que seguia para coletar um pedido quando o GPS apresentou uma falha técnica. Ao tentar se localizar, ele parou em uma rua para verificar o trajeto no aplicativo. Foi nesse momento que, segundo seu relato, um homem em uma motocicleta se aproximou e começou a acusá-lo publicamente de cometer assaltos na região.
"Eu expliquei que estava trabalhando, mostrei o aplicativo, a bolsa térmica, mas mesmo assim ele continuou insistindo que eu era ladrão", relatou o entregador à reportagem. A tentativa de esclarecimento não foi suficiente para acalmar a situação.
Perseguição e agressão física
O entregador afirmou que tentou deixar o local para evitar maiores conflitos, mas foi seguido pelo suspeito em sua motocicleta. O homem parou o veículo à frente de Gabriel e voltou a fazer acusações públicas. Quando questionado se era policial ou agente de segurança, o suspeito teria se irritado profundamente.
"Ele ficou extremamente bravo, desceu da moto e começou a desferir golpes violentos. Eu caí no chão, bati a cabeça com força e fiquei completamente tonto. Mesmo nessa situação vulnerável, ele continuou me batendo sem piedade", descreveu Gabriel sobre o momento da agressão.
Procedimentos legais e novas ameaças
Após o ataque, o entregador registrou imediatamente um boletim de ocorrência por calúnia, difamação e agressão física. Ele também realizou um exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal para documentar as lesões sofridas. No entanto, a situação se agravou mesmo após as medidas legais iniciais.
Segundo Geraldo Carvalho, advogado da Associação dos Entregadores por Aplicativo de Maceió, o suspeito conseguiu obter o contato da vítima após o registro na Central de Flagrantes e começou a fazer ameaças diretas, especialmente após a repercussão do caso nas redes sociais.
Audiência e pedido de prisão cautelar
O advogado informou que nesta quarta-feira está marcada uma audiência com a delegada responsável pelo caso. Durante o encontro, serão ouvidas a vítima e testemunhas, além de serem apresentadas novas provas ao inquérito policial já em andamento.
"Vamos solicitar formalmente a prisão cautelar do agressor pelas ameaças contra a vida do trabalhador por aplicativo", afirmou Carvalho. A Polícia Civil continua investigando todas as circunstâncias da agressão e trabalha para identificar e localizar o suspeito com precisão.
Impacto na vida do entregador
Gabriel segue impossibilitado de trabalhar devido às dores físicas resultantes das lesões sofridas, ao abalo emocional profundo e ao medo constante de sofrer um novo ataque. O caso expõe os riscos enfrentados por trabalhadores de aplicativos que atuam nas ruas das grandes cidades brasileiras.
A situação levanta questões importantes sobre segurança pública, preconceito e a vulnerabilidade de profissionais que dependem de deslocamentos urbanos para exercer suas atividades laborais. A associação de entregadores tem acompanhado o caso de perto e oferecido suporte jurídico e psicológico à vítima.



