Empresário é morto a tiros durante abordagem da PM na Pavuna
A dor da perda se mistura ao sentimento de revolta na família do comerciante Daniel Patrício Santos Oliveira, de 29 anos, morto a tiros durante uma abordagem policial na madrugada desta quarta-feira (22), na Pavuna, Zona Norte do Rio de Janeiro. Em meio ao luto, a esposa da vítima, Karina Dias Paes, afirmou que o casal planejava deixar o estado justamente por causa da violência que assola a região.
"Já estou até com a minha mudança pronta. Inclusive, ele veio de Foz do Iguaçu com esse carro para a gente levar nossas coisas", disse Karina, emocionada. Segundo ela, o marido sempre sonhou em ter uma caminhonete e há cerca de um mês realizou esse desejo, adquirindo o veículo que dirigia no momento da abordagem fatal.
Detalhes do ocorrido
Daniel foi abordado por policiais militares na Rua Doutor José Thomaz por volta das 3h30, quando voltava de um pagode. De acordo com testemunhas, o tiro que o matou teria partido dos agentes. Após ser baleado, o empresário perdeu o controle da direção e parou o veículo ao lado de uma escola municipal, onde veio a falecer no local.
Outras três pessoas que estavam no carro não ficaram feridas, mas a cena foi marcada por violência: marcas de tiros ficaram espalhadas pela rua, atingindo o para-brisa da caminhonete, além do muro e do portão da unidade escolar.
Família contesta versão policial
A irmã da vítima contestou veementemente a possibilidade de ter havido tentativa de fuga por parte de Daniel. "Foram 23 tiros. Isso não é ordem de parada. Não teve revide, porque não tinha arma dentro do carro", afirmou, sugerindo uma ação desproporcional por parte dos policiais.
Karina, agora viúva, compartilhou ainda mais detalhes dolorosos: o empresário deixou uma filha de 4 anos que era muito apegada ao pai. "Eu perdi meu pai há 5 meses. Cinco meses que eu perdi o meu pai. Eu faço o que agora com uma criança de 4 anos?", lamentou, destacando o duplo golpe sofrido pela família.
Resposta das autoridades
Em nota, a Polícia Militar informou que agentes do Batalhão de Irajá realizavam uma abordagem quando "um homem foi atingido e não resistiu aos ferimentos". A corporação afirmou que a Delegacia de Homicídios foi acionada imediatamente e que um procedimento foi instaurado para apurar todas as circunstâncias da ação.
Os policiais envolvidos na abordagem já prestaram depoimento na Polícia Judiciária Militar no início da tarde desta quarta-feira, conforme protocolo de investigação em casos dessa natureza.
Contexto de violência e planejamento de fuga
A tragédia ganha contornos ainda mais trágicos quando se considera que Daniel e Karina estavam ativamente planejando sair do Rio de Janeiro para escapar da violência. A caminhonete adquirida recentemente seria justamente o meio para transportar seus pertences durante a mudança, um plano interrompido brutalmente.
Este caso reacende debates sobre:
- Protocolos de abordagem policial
- Violência urbana nas periferias cariocas
- O impacto da insegurança nas decisões de vida das famílias
- Mecanismos de apuração em mortes envolvendo agentes do estado
A comunidade da Pavuna e familiares aguardam agora os resultados das investigações, enquanto tentam lidar com a perda súbita de um jovem empresário que tinha planos de recomeçar longe da violência que acabou por ceifar sua vida.



