A Federação Internacional de Futebol (Fifa) não pretende atender ao pedido dos Estados Unidos para substituir a seleção do Irã pela Itália na Copa do Mundo de 2026, conforme apurou a emissora britânica BBC junto a fontes internas da entidade nesta quinta-feira, 23 de abril de 2026. A informação surge na esteira de revelações sobre planos apresentados pelo enviado especial americano Paolo Zampolli, divulgadas na véspera pelo jornal Financial Times.
Proposta de Zampolli gera polêmica
Na quarta-feira, 22 de abril, o Financial Times noticiou que Zampolli teria proposto ao presidente da Fifa, Gianni Infantino, a troca do Irã pela Itália na Copa do Mundo, mesmo com a seleção tetracampeã mundial não tendo garantido vaga no torneio deste ano. A proposta foi recebida com ceticismo nos bastidores da entidade.
De acordo com as fontes ouvidas pela BBC, qualquer substituição só seria cogitada se o Irã desistisse voluntariamente da competição. A participação iraniana na Copa, que será parcialmente sediada nos Estados Unidos, tem gerado preocupação entre autoridades americanas, em meio ao conflito entre os dois países, iniciado por ataques americanos e israelenses a território iraniano em 28 de fevereiro.
Contexto de tensão e trégua frágil
No momento, Estados Unidos e Irã vivem uma trégua frágil, estendida no início da semana, apesar de bloqueios e trocas de acusações. No início da guerra no Oriente Médio, o Irã chegou a mencionar um boicote à Copa, antes de solicitar à Fifa que transferisse seus jogos dos Estados Unidos para o México, pedido que foi rejeitado pela entidade.
Na semana passada, Infantino afirmou não ter dúvidas de que a participação do Irã está confirmada. "Esperamos que, nesse momento [o início da Copa, em 11 de junho], a situação seja uma situação pacífica, o que realmente ajudaria", declarou o dirigente. "Mas o Irã tem de vir, representa o seu povo, se classificou e os jogadores querem jogar", completou.
Movimento político e obstáculos regulamentares
A inclusão da seleção italiana poderia ser justificada tanto pelo peso histórico do país no esporte quanto por um simbolismo especial. "Seria um sonho ver a Azzurra em um torneio sediado nos Estados Unidos", teria dito Zampolli, segundo o Financial Times. Nos bastidores, a proposta é interpretada como um movimento político para reaproximar o ex-presidente Donald Trump da primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, após um desgaste recente nas relações, agravado por declarações de Trump sobre o papa Leão XIV e por tensões geopolíticas relacionadas ao Irã.
Apesar da repercussão, a sugestão enfrenta obstáculos praticamente intransponíveis. As regras da Fifa são rígidas quanto à classificação para a Copa do Mundo, e não há precedentes recentes de substituições por critérios políticos ou simbólicos. Nem a Federação Italiana de Futebol, nem a federação iraniana, tampouco a própria Fifa comentaram oficialmente o tema.
Itália fora da Copa pela terceira vez consecutiva
A Itália, que soma quatro títulos mundiais, vive um momento incomum em sua história: ficou fora da Copa pela terceira vez consecutiva, após derrota na repescagem para a Bósnia e Herzegovina. Ainda assim, a simples hipótese de sua inclusão fora de campo evidencia como o futebol segue profundamente entrelaçado a interesses políticos e diplomáticos — mesmo quando os resultados já foram definidos dentro das quatro linhas.



