Buscas por crianças desaparecidas em Bacabal (MA) se intensificam após relato de primo de 8 anos
Buscas intensificadas por crianças desaparecidas em Bacabal (MA)

As buscas por Ágata Isabelle, de 5 anos, e Allan Michael, de 4, desaparecidos há sete dias na zona rural de Bacabal, no Maranhão, ganharam um novo direcionamento neste sábado (10). O foco das operações se concentrou na região de um lago após um relato crucial dado pelo primo das vítimas, um menino de 8 anos que também estava desaparecido e foi resgatado na última quarta-feira (7).

Relato crucial direciona operações

De acordo com informações repassadas aos pais e a uma psicóloga que o acompanha no hospital, o garoto de 8 anos afirmou que o grupo teria passado por um lago. Ele contou que, na ocasião, deixou os dois primos menores no local antes de sair em busca de socorro. O menino foi encontrado por produtores rurais após quatro dias desaparecido, a aproximadamente 4 km em linha reta do ponto onde as crianças sumiram.

Com base nessa nova informação, as equipes de resgate intensificaram as buscas em uma área de cerca de 15 km², localizada entre o Quilombo de São Sebastião dos Pretos e o Povoado de Santa Rosa. O tenente-coronel Marcos Bittencourt descreveu a região como um terreno irregular, de difícil acesso, com poucas trilhas e vegetação diversa, incluindo áreas de pasto e mata densa com espinhos.

Força-tarefa enfrenta desafios em terreno inóspito

A operação, que já conta com mais de 200 agentes de forças de segurança e centenas de voluntários, recebeu um reforço significativo. Na noite de sexta-feira (9), chegaram ao local 26 militares do Batalhão de Infantaria de Selva do Exército Brasileiro, de São Luís, e 15 policiais do Batalhão Ambiental da Polícia Militar.

Os desafios são enormes. A região não possui energia elétrica e esconde perigos como armadilhas instaladas por caçadores, prática comum na área, além da presença de serpentes e outros animais silvestres. Para aumentar a eficiência, as equipes utilizam drones equipados com câmeras térmicas, cães farejadores e o apoio de um helicóptero. O governador do Maranhão, Carlos Brandão, destacou a atuação integrada das forças.

"Os trabalhos seguem sem parar, com técnica e equipamentos adequados, para localizar as crianças e acabar com o sofrimento da família e da comunidade", afirmou o governador.

Comunidade mantém a esperança viva

A mobilização comunitária tem sido um pilar fundamental. Centenas de voluntários, muitos deles pais de família sensibilizados com o caso, se unem diariamente às buscas. Juscelino Morais, pedreiro, veio com um grupo de mais de 50 pessoas de um povoado a 40 km de distância.

"Nosso desejo é encontrar as crianças vivas. Viemos em mais de 50 pessoas e vamos ficar até a noite ajudando", disse. O sentimento é ecoado por Antônio Pereira Brito, encarregado de asfalto: "Quem tem filho se coloca no lugar. Viemos dar força para a comunidade."

Para dar suporte à exaustiva operação, que funciona 24 horas por dia, a prefeitura montou duas bases de apoio. Apesar do cansaço e da angústia, a família mantém a fé. O avô de Ágata Isabelle, Oswaldo, após um dia exaustivo de buscas na quinta-feira, resumiu o sentimento de todos: "É o que nos dá força para lutar. Mas é difícil, não sabemos onde procurar. A angústia só aumenta. Nunca pensei em passar por isso".

Enquanto isso, o menino de 8 anos resgatado permanece internado sob observação. Até o momento, não há novas informações sobre seu estado de saúde ou se ele forneceu outros detalhes que possam ajudar a localizar os primos. A esperança é que, com o novo foco nas áreas de lago e o reforço das equipes, as duas crianças sejam encontradas em breve.