Adolescente relata violência grave em transporte escolar de Matão
Uma adolescente de 15 anos registrou ocorrência policial após ser agredida por um motorista de ônibus escolar em Matão, interior de São Paulo. O episódio violento aconteceu na última segunda-feira (16) e deixou a jovem com marcas visíveis nas costas e no pescoço, além de uma fratura na costela confirmada através de exame de corpo de delito.
Detalhes do episódio violento
Segundo o relato da estudante, que não será identificada por ser menor de idade, a confusão começou quando ela entrava no veículo para retornar para casa. "Ainda estava entrando no ônibus, aí tinha uma menina atrás de mim que me empurrou sem querer em cima da outra. Pedi desculpas, mas a motorista pegou a dor dela e começou a me xingar", contou a jovem.
A situação escalou rapidamente quando o motorista ordenou que ela descesse do ônibus. "Eu já ia sentar no banco, aí ele pegou e falou assim: 'Desce'. Eu falei: 'Tá bom'. Ele começou a me empurrar e eu virei para ele, falei para ele: 'Para'. Ele não parou", descreveu a adolescente.
Agressões físicas graves
O motorista teria realizado manobras de força contra a estudante, incluindo técnicas de imobilização. "Ele me enforcou, me deu mata-leão, segurou muito tempo. Aí depois ele foi lá, me soltou, aí eu dei um soco nele, rasguei a camisa dele. Ele me colocou contra uma barra dos cadeirantes. Aí me botou na frente e ele ficou atrás e me ergueu, me dando um mata-leão", afirmou a vítima.
Imagens registradas por celular mostram a movimentação dentro do ônibus e captam os gritos da jovem durante as agressões. A mãe, Janaína Macedo, foi alertada por amigos da filha e correu para o hospital. "Na hora que eu cheguei, eu vi. Ela tava toda vermelha, com as costas vermelha, o pescoço tudo vermelho, a boca machucada. Meu mundo desabou naquele momento", relatou emocionada.
Suspensão do motorista e investigação
A Prefeitura de Matão informou que o transporte escolar é realizado por empresa terceirizada e que o motorista foi afastado das funções imediatamente, aguardando a conclusão das investigações policiais. O nome do profissional não foi divulgado pelas autoridades e ele não foi localizado pela reportagem até o fechamento desta matéria.
Suspicião de motivação homofóbica
Familiares da adolescente suspeitam que a agressão possa ter sido motivada por homofobia, já que a jovem é homossexual. Silmara Macedo da Silva, tia da vítima, questiona: "Que motivo que ele teria para fazer isso com ela? A gente questiona que seja isso, homofobia, porque ela é homossexual, então, que mais?".
O caso foi registrado na delegacia de Matão e corre em segredo de justiça por envolver uma menor de idade. A família demonstra esperança por justiça. "Espero que a justiça seja feita, que isso não saia impune", disse a mãe. A tia complementou: "Que ele pague pelo que ele fez, porque a gente não é de família ruim, a gente não quer fazer nada, a gente quer justiça. Tudo dentro da lei. Se ele não sabe lidar com adolescente, ele não pode trabalhar. A empresa tem que capacitar ele para numa dessa ele não fazer isso".
A Polícia Civil continua investigando todas as circunstâncias do caso, incluindo a possível motivação discriminatória das agressões sofridas pela estudante no transporte escolar.



