Vice-prefeito de Colina, SP, é alvo de cassação após morte de professor de jiu-jitsu
Vice-prefeito de Colina, SP, alvo de cassação após morte

Câmara de Colina inicia processo de cassação contra vice-prefeito acusado de homicídio

A Câmara Municipal de Colina, no interior de São Paulo, constituiu nesta segunda-feira, 16 de setembro, uma Comissão Processante que terá a responsabilidade de examinar três pedidos formais de cassação do mandato do vice-prefeito da cidade, Rafael Corrêa Rodrigues, filiado ao Partido Progressista (PP). A medida decorre diretamente da suspeita de que Rodrigues tenha sido o autor do disparo que vitimou fatalmente o advogado e professor de jiu-jitsu Marcos Aurélio Abe, de 45 anos, no último sábado, 14 de setembro.

Detalhes do crime e alegações de defesa

O episódio trágico ocorreu na noite do dia 8 de março, no bairro Jardim Universal, quando Marcos Aurélio Abe se dirigiu à residência do vice-prefeito, onde este se encontrava em uma confraternização familiar. Conforme registrado no boletim de ocorrência, Abe estava em um veículo branco e portava uma arma falsa. Uma discussão acalorada teria se iniciado entre os dois, culminando com Rodrigues efetuando um tiro que atingiu o professor de jiu-jitsu no tórax, perfurando seu pulmão.

Com a ajuda de moradores locais, a vítima foi rapidamente transportada para o pronto-socorro de Colina e, devido à gravidade extrema de seus ferimentos, transferida para a Santa Casa de Barretos. Marcos Aurélio Abe permaneceu internado em estado crítico até a madrugada de sábado, quando, por volta das 2h30, não resistiu aos ferimentos e faleceu. A Polícia Militar foi acionada imediatamente, preservando o local do crime para as investigações necessárias, onde foram encontradas manchas de sangue no banco do motorista do carro de Abe.

Rafael Corrêa Rodrigues, conhecido popularmente como Rafael Maringá, apresentou-se voluntariamente à Polícia Civil dois dias após o incidente, prestou depoimento detalhado e sustentou que agiu em legítima defesa durante o confronto. Atualmente, ele responde ao processo em liberdade, aguardando os desdobramentos legais.

Votação unânime e formação da comissão processante

Durante a sessão legislativa desta segunda-feira, todos os onze vereadores presentes votaram favoravelmente ao recebimento das três denúncias protocoladas contra o vice-prefeito. A única exceção foi o presidente da Câmara, que, por determinação regimental, não participa de votações ordinárias. Com essa decisão, a Comissão Processante foi oficialmente instituída, composta por três vereadores que terão um prazo máximo de noventa dias para analisar minuciosamente todo o material apresentado e emitir um parecer fundamentado sobre a pertinência da cassação do mandato de Rodrigues.

É importante destacar que, embora as denúncias também solicitassem o afastamento cautelar e temporário do vice-prefeito de suas funções públicas, esse pedido específico foi rejeitado pelo Legislativo municipal. Os vereadores ressaltaram, em sua decisão, que tal medida de afastamento compete exclusivamente à Justiça comum, não ao poder legislativo local.

Posicionamento da prefeitura e andamento do caso

A Prefeitura de Colina emitiu uma nota oficial esclarecendo que considera o incidente uma questão estritamente de natureza pessoal, ocorrida no âmbito privado e sem qualquer relação com a gestão administrativa municipal ou com as atividades desempenhadas pelo poder público. A defesa de Rafael Corrêa Rodrigues foi procurada para comentários adicionais, mas ainda não se manifestou publicamente sobre os recentes desenvolvimentos.

Este caso tem gerado comoção e amplo debate na comunidade de Colina e região, levantando questões sobre segurança pública, responsabilidade de autoridades e os limites da legítima defesa. A comissão processante agora carrega a responsabilidade de conduzir uma análise imparcial e rigorosa, cujo resultado poderá ter implicações significativas para a política local e para a busca por justiça no falecimento de Marcos Aurélio Abe.