Vereadores de Turilândia são presos após violarem medidas cautelares em megaesquema de corrupção
Oito vereadores do município de Turilândia, no interior do Maranhão, foram presos nesta quarta-feira (11) após descumprirem medidas cautelares impostas pela Justiça. Eles são investigados por participação em um esquema de corrupção que desviou mais de R$ 56 milhões dos cofres da prefeitura local. Os mandados de prisão foram emitidos pelo Ministério Público do Maranhão (MPMA) e cumpridos pela polícia.
Prisão domiciliar convertida em preventiva por descumprimento de regras
A 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Maranhão decidiu converter a prisão domiciliar dos parlamentares em prisão preventiva. A mudança ocorreu porque os vereadores não cumpriram condições anteriormente estabelecidas, como o uso de monitoramento eletrônico e a proibição de comunicação entre os investigados. A decisão judicial foi baseada em relatório do MPMA que apontou violações específicas dessas restrições.
Os vereadores presos são:
- Gilmar Carlos Gomes Araújo
- Mizael Brito Soares
- José Ribamar Sampaio
- Nadianne Judith Vieira Reis
- Sávio Araújo e Araújo
- Josias Fróes
- Carla Regina Pereira Chagas
- Inailce Nogueira Lopes
Dois outros vereadores investigados, Daniel Barbosa Silva e José Luís Araújo Diniz, não foram presos porque cumpriram todas as medidas cautelares estabelecidas pela Justiça.
Operação Tântalo II investiga organização criminosa estruturada
As prisões fazem parte dos desdobramentos da Operação Tântalo II, deflagrada pelo MPMA no final de 2025. A investigação apura uma organização criminosa liderada pelo prefeito de Turilândia, José Paulo Dantas Filho, conhecido como Paulo Curió, que está preso desde dezembro do ano passado.
O esquema envolve crimes como:
- Organização criminosa
- Fraude em licitações
- Corrupção ativa e passiva
- Peculato
- Lavagem de dinheiro
Segundo o Ministério Público, o prejuízo ao erário público ultrapassa R$ 56 milhões, com desvios concentrados principalmente nas áreas da Saúde e Assistência Social do município.
Intervenção federal e nomeação de interventor técnico
Em janeiro, o Tribunal de Justiça do Maranhão aprovou a intervenção no município por 180 dias, após pedido do MPMA. O governador Carlos Brandão nomeou o defensor público Thiago Josino Carrilho de Arruda Macêdo como interventor, cargo que aguarda aprovação da Assembleia Legislativa.
A intervenção se restringe ao Poder Executivo municipal, enquanto as funções legislativas permanecem com a Câmara Municipal. O interventor terá que apresentar um relatório circunstanciado em 90 dias, com diagnóstico da gestão e providências adotadas.
Defesa dos vereadores contesta decisão judicial
A defesa dos vereadores presos emitiu nota afirmando que tomou conhecimento da decisão "com perplexidade" através de blogs e redes sociais, sem intimação formal dos advogados. Os defensores argumentam que não houve descumprimento das medidas cautelares e que a representação do MPMA se baseia em "relatório frágil, repleto de suposições e falhas graves de interpretação".
Segundo a defesa, "meras interações em grupos de aplicativos de mensagens" foram distorcidas como se fossem prova de contato direto e proibido. Os advogados afirmam que tomarão "todas as medidas judiciais cabíveis" para reverter o que consideram "uma manifesta injustiça".
Denúncia do MPMA inclui prefeito e familiares
Além dos vereadores, o MPMA denunciou o prefeito Paulo Curió, a vice-prefeita Tânya Karla, a ex-vice-prefeita Janaina Soares e sete familiares do prefeito por suspeita de participação no esquema. Eles são acusados de formar uma organização criminosa estruturada e estável, com divisão clara de funções para obtenção de vantagens indevidas.
O Ministério Público pede:
- Ressarcimento integral dos R$ 56,3 milhões desviados
- Perda de bens e valores ligados ao esquema
- Perda de cargos públicos por abuso de poder
- Manutenção das medidas cautelares já impostas
A investigação continua em andamento, com o MPMA buscando identificar todos os responsáveis pelos desvios e fraudes no município. As prisões dos vereadores representam mais um capítulo no combate à corrupção no Maranhão, demonstrando o empenho das instituições em responsabilizar os envolvidos em esquemas ilícitos que prejudicam o patrimônio público e a população local.



