Vereadores de Turilândia (MA) têm prisão preventiva mantida após descumprir medidas cautelares
Vereadores de Turilândia (MA) mantidos presos após descumprir medidas

Justiça mantém prisão de vereadores de Turilândia por descumprimento de medidas cautelares

Em decisão judicial, a 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Maranhão manteve a prisão preventiva de oito vereadores do município de Turilândia. A audiência de custódia, realizada na tarde desta quinta-feira (12), confirmou a conversão da prisão domiciliar em prisão preventiva após os parlamentares descumprirem medidas cautelares anteriormente impostas.

Descumprimento de condições leva à prisão preventiva

Os oito vereadores estavam entre os investigados por suspeita de participação em um esquema de corrupção que desviou mais de R$ 56 milhões dos cofres da Prefeitura de Turilândia. Eles haviam tido a prisão preventiva convertida em medidas menos severas em dezembro de 2025, mas, segundo o Ministério Público do Maranhão (MP-MA), violaram as condições estabelecidas.

As principais violações incluíram:

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  • Descumprimento do monitoramento eletrônico
  • Comunicação entre os investigados, proibida pelas medidas cautelares
  • Contato com outros envolvidos no esquema

A decisão foi proferida pela desembargadora Maria da Graça Peres Soares e resultou na condução dos parlamentares para a delegacia regional de Santa Helena. Agora, eles serão transferidos para o Presídio de Pinheiro, onde ficarão à disposição da Justiça.

Esquema de corrupção milionário

A investigação, que envolve autoridades locais e empresários, apura crimes como organização criminosa, fraude em licitação, corrupção ativa e passiva, peculato e lavagem de dinheiro. O prefeito da cidade, Paulo Curió, está preso desde o fim do ano passado e é apontado como o suposto comandante do esquema.

"Infelizmente, estamos diante de um quadro de anomalia institucional que já é de conhecimento nacional. A administração pública municipal de Turilândia foi tomada por uma organização criminosa", afirmou o procurador-geral de Justiça do Maranhão, Danilo José de Castro Ferreira.

Dois vereadores excluídos da decisão

A decisão judicial excluiu dois vereadores, Daniel Barbosa Silva e José Luís Araújo Diniz, que não descumpriram as restrições impostas e, portanto, não foram alvos do pedido de prisão. Os oito vereadores que tiveram a prisão mantida são:

  1. Gilmar Carlos Gomes Araújo
  2. Mizael Brito Soares
  3. José Ribamar Sampaio
  4. Nadianne Judith Vieira Reis
  5. Sávio Araújo e Araújo
  6. Josias Fróes
  7. Carla Regina Pereira Chagas
  8. Inailce Nogueira Lopes

Defesa alega ilegalidade nas prisões

Por meio de nota, a defesa dos vereadores afirmou considerar as novas prisões ilegais, argumentando que os cidadãos já estavam presos e cumprindo "rigorosamente a prisão domiciliar com monitoramento por tornozeleira eletrônica". A defesa alega que a decisão do Tribunal de Justiça se baseou em interpretações equivocadas de fatos já esclarecidos em petições protocoladas antes do julgamento.

Intervenção estadual em Turilândia

Na última segunda-feira (9), o governador do Maranhão, Carlos Brandão, anunciou o defensor público Thiago Josino Carrilho de Arruda Macêdo como interventor do município de Turilândia. O nome foi aprovado pela Assembleia Legislativa do Maranhão nesta quinta-feira e agora aguarda promulgação e publicação no Diário Oficial.

A intervenção terá prazo inicial de 180 dias, podendo ser prorrogada caso não haja restabelecimento da normalidade institucional. O objetivo é garantir a prestação de serviços públicos essenciais e assegurar o cumprimento de decisões judiciais.

Denúncia do Ministério Público

O MP-MA denunciou, no último dia 19 de janeiro, o prefeito de Turilândia, Paulo Curió, a vice-prefeita, a ex-vice-prefeita e sete familiares por suspeita de desviar R$ 56 milhões de recursos públicos. A denúncia foi enviada ao gabinete da desembargadora Maria da Graça Peres Soares Amorim, relatora do caso.

Segundo o Ministério Público, o grupo formou uma organização criminosa estruturada, estável e com divisão de funções, com o objetivo de obter vantagens indevidas por meio de fraudes a licitações, corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro.

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O órgão pede o ressarcimento integral dos R$ 56,3 milhões desviados, a perda de bens e valores ligados ao esquema, mesmo quando registrados em nome de terceiros, e a manutenção das medidas cautelares já impostas aos investigados.