Vereador do Piauí profere termos racistas durante sessão da Câmara Municipal
O vereador Roberval Carvalho, filiado ao MDB e atuante na cidade de José de Freitas, no Piauí, empregou expressões de cunho racista durante uma sessão da Câmara Municipal realizada na terça-feira, dia 25. Em suas críticas dirigidas à gestão municipal, o parlamentar fez referência a postagens nas redes sociais da prefeitura, utilizando termos como "neguinho dançando" e "macaquinho pulando", além de afirmar que opositores "denigrem a imagem dos vereadores".
Declarações ofensivas e reações imediatas
Roberval Carvalho expressou sua insatisfação com a forma como a cidade está sendo tratada, alegando que há apenas "conversinha bonita" e filmagens superficiais. Ele repetiu os termos racistas em um segundo momento da sessão, direcionando-os especificamente a Mikelson Deivid, assessor da prefeitura, a quem chamou de "um dos macacos que pulam". O vereador também utilizou epítetos como "cachorro" e "moleque", exigindo respeito por sua posição.
Mikelson Deivid repudiou veementemente o discurso, classificando-o como ofensivo e racista, e anunciou a intenção de registrar um boletim de ocorrência na Polícia Civil. A presidente da Câmara, vereadora Helena Barros, também do MDB, manifestou repúdio a qualquer forma de discriminação e afirmou que solicitará uma retratação pública do colega.
Reconhecimento do erro e possíveis consequências legais
Após a repercussão negativa, Roberval Carvalho reconheceu que foi "infeliz" na escolha das palavras, embora tenha justificado que sua intenção era criticar a divulgação das ações municipais, sem o objetivo de ofender pessoas negras. Ele admitiu ter revisto a sessão e expressou arrependimento, mas manteve suas críticas à administração.
O delegado Marcelo Leal, diretor de polícia metropolitana da Polícia Civil, esclareceu que o vereador pode responder por injúria qualificada, tipificada como injúria racial, com pena prevista de dois a cinco anos de reclusão. A investigação do caso depende de denúncia formal, e a Delegacia de José de Freitas ainda não se pronunciou sobre o andamento do processo.
Contexto das críticas e posicionamento institucional
Os comentários racistas foram feitos durante um debate sobre a estrutura de atendimento a crianças com autismo na rede de saúde municipal. Roberval Carvalho relatou que precisou transportar duas crianças em seu próprio veículo para consultas com um neuropediatra em Teresina, a 54 quilômetros de distância, e questionou o uso de uma emenda de R$ 80 mil destinada à Apae local.
A Prefeitura de José de Freitas emitiu uma nota de repúdio às declarações do vereador, reafirmando seu compromisso com o respeito à dignidade humana e a diversidade. Em outra nota, a gestão municipal esclareceu que conta com um neurologista qualificado e que a execução de recursos segue cronogramas administrativos legais.
Implicações políticas e éticas
A vereadora Helena Barros destacou que, para abrir uma sindicância ou comissão de ética contra Roberval Carvalho, é necessária uma denúncia formal de outro parlamentar além dos dois envolvidos. Ela enfatizou que o uso de falas racistas é grave, independentemente da justificativa de "empolgação", e que a menção nominal do assessor agravou a situação.
O MDB, partido do vereador, foi procurado para se manifestar através do senador Marcelo Castro, presidente da sigla no Piauí, mas não respondeu até o fechamento desta reportagem. O caso continua sob análise, com possíveis desdobramentos jurídicos e políticos que podem impactar a carreira do parlamentar e a imagem da instituição.



