Vereador de Leandro Ferreira é preso após agredir mulher com garrafa de vidro em restaurante
O vereador Eduardo Cézar Lobato Fonseca, conhecido como 'Eduardo Genro do Juvenal', foi preso em flagrante no dia 6 de abril por agredir uma mulher com uma garrafa de vidro em um restaurante de Leandro Ferreira, cidade de 3.200 habitantes no Centro-Oeste mineiro. O parlamentar de 41 anos, que está em seu segundo mandato, foi detido com base na Lei Maria da Penha após o ataque que deixou a vítima ferida na cabeça.
Detalhes do ataque e prisão em flagrante
Segundo o boletim de ocorrência, a agressão ocorreu quando a vítima, Eduarda Brandão, almoçava com amigos no estabelecimento. Após uma discussão, o vereador a atingiu na cabeça com a garrafa. Eduarda relatou que o estopim da desavença foi ela negar se sentar na mesa com ele e recusar suas investidas no mesmo dia. Testemunhas afirmaram que mesmo após o ataque, o vereador continuou intimidando a vítima, dizendo: "Você vai se ver comigo".
A Polícia Militar e a Polícia Civil registraram o caso como lesão corporal qualificada, perseguição, ameaça por mais de uma vez, importunação sexual e injúria. A vítima precisou de atendimento médico após o incidente e relatou que sua rotina mudou completamente desde então, incluindo medo de sair de casa e consideração de mudar de cidade.
Afastamento da Câmara Municipal
A Câmara Municipal de Leandro Ferreira decretou licença temporária e sem remuneração do vereador na última quarta-feira (9). O decreto legislativo considera que a prisão impede o exercício do mandato e cita o regimento interno da casa, que prevê afastamento automático de vereadores presos. A medida não é punitiva e respeita a presunção de inocência, garantindo ao vereador o direito à ampla defesa.
Contexto político e pessoal do vereador
Eduardo Cézar Lobato Fonseca foi eleito pelo PL com 136 votos (4,8% dos válidos) na última eleição. Na legislatura anterior (2021-2024), exerceu mandato pelo PSDB. Natural de Pitangui (MG), casado e produtor agropecuário, o vereador não declarou renda e tem uma empresa na área de produção musical registrada em 2013, atualmente com situação cadastral baixada.
Versões conflitantes e impacto na vítima
Em sua versão no boletim de ocorrência, o vereador negou as acusações, afirmando que não perseguiu nem ofendeu Eduarda. Ele disse que foi agredido por ela com unhadas, causando escoriações próximas ao olho, e que sua intenção foi apenas se defender. Esta versão não foi sustentada por provas colhidas no local, conforme consta no documento policial.
A vítima, que mora na zona rural com a avó e um filho especial, relatou que o vereador afirmou durante a ocorrência que sairia impune. "Minha avó não está dormindo, meu filho que é especial está tendo crises de epilepsia. Eu tenho medo dele sair e me matar, e fazer algo com minha família", afirmou Eduarda, que também disse que o parlamentar desenvolveu uma obsessão por ela mesmo sendo casado.
Posicionamento jurídico
O advogado do vereador, Rafael Lino, informou em nota que não vai se manifestar publicamente sobre o caso, por se tratar de processo que tramita em segredo de justiça. A licença do vereador vale enquanto durar a impossibilidade de exercer o mandato, conforme estabelecido pelo regimento interno da Câmara Municipal de Leandro Ferreira.



