Ministro do Supremo utilizou aeronave de empresa com vínculos a banqueiro investigado
Informações obtidas pelo jornal Folha de S. Paulo revelam que o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, realizou uma viagem em um avião pertencente à Prime Aviation, empresa que tinha como sócio o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master e investigado por crimes financeiros. Os registros foram acessados através da Agência Nacional de Aviação Civil e do Departamento de Controle de Espaço Aéreo.
Destino da viagem foi resort familiar no Paraná
Segundo a reportagem, o voo ocorreu no dia 4 de julho de 2025, com destino ao resort Tayayá, localizado no município de Ribeirão Claro, no Paraná. Documentos indicam que Toffoli acessou o terminal executivo do aeroporto de Brasília às 10 horas, e dez minutos depois uma aeronave da Prime Aviation decolou com rota para Marília, cidade natal do ministro em São Paulo.
Em fevereiro, o próprio ministro confirmou que o resort pertenceu a uma empresa de sua família. Investigações da Polícia Federal apontam que, em 2021, parte das cotas do empreendimento foi vendida para um fundo de investimento ligado ao Banco Master.
Registros frequentes e apoio logístico
A Folha identificou que Toffoli teve dez registros de entrada em 2025 no terminal executivo do aeroporto de Brasília, espaço reservado principalmente para aeronaves particulares. Dois desses acessos ocorreram em horários próximos à decolagem de um avião vinculado a Paulo Humberto Barbosa, atual proprietário do Tayayá.
Um documento do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo mostra que equipes foram designadas para prestar apoio em segurança e transporte para uma autoridade do Supremo em Ribeirão Claro, no período de 3 a 13 de julho, englobando a data da viagem citada.
Negativas e silêncio das partes envolvidas
Quando deixou a relatoria do caso Master no STF, em fevereiro, Toffoli afirmou não ter qualquer relação pessoal ou financeira com Daniel Vorcaro. A Prime Aviation, em nota divulgada na terça-feira (31), informou que Vorcaro foi sócio da empresa de setembro de 2021 a setembro de 2025, e que atualmente não é mais acionista.
O Supremo Tribunal Federal e o ministro Dias Toffoli não se manifestaram sobre as novas revelações. A defesa de Daniel Vorcaro também se recusou a comentar, e o contato com Paulo Humberto Barbosa não foi obtido pelo Jornal Nacional.
Esta reportagem surge em um contexto de crescente escrutínio sobre as relações entre autoridades públicas e figuras do setor financeiro, especialmente em casos que envolvem investigações criminais. A utilização de meios de transporte privados por membros do Judiciário levanta questões sobre transparência e possíveis conflitos de interesse.



