Governador Tarcísio jantou com empresário do funk preso em operação da PF
Tarcísio jantou com empresário do funk preso pela PF

Governador de São Paulo teve encontro com empresário do funk preso em operação da PF

O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) participou de um jantar e registrou fotografias com o empresário do funk Rodrigo Inácio de Lima Oliveira, da GR6 Explode, que foi preso na terça-feira (15) durante a Operação Narco Fluxo, conduzida pela Polícia Federal. A operação tinha como alvo um esquema de lavagem de dinheiro supostamente ligado ao PCC (Primeiro Comando da Capital).

Encontro em agosto de 2023 na residência do cantor Latino

O jantar ocorreu no dia 12 de agosto do ano passado, na casa do cantor Latino, um apoiador declarado do governador. Na ocasião, Latino buscava aproximar Tarcísio de empresários do setor de entretenimento e de outros segmentos. O cardápio incluiu carneiro e vinho, em uma atmosfera descrita como descontraída.

Após o evento, Rodrigo Oliveira publicou uma série de imagens ao lado do governador em sua conta no Instagram, acompanhadas da legenda: "Nosso país estaria muito melhor se tivéssemos mais pessoas como você. Que cara f!". O empresário expressou admiração pelo político, que na época era cotado como um possível candidato à Presidência da República.

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Silêncio do Palácio dos Bandeirantes e detalhes da operação policial

A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa do Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, por e-mail e telefone por volta das 13h, solicitando um posicionamento oficial sobre o encontro. Por telefone, a assessoria informou que enviaria uma resposta até as 14h, prazo estabelecido pela equipe jornalística, mas não cumpriu o compromisso. A Secretaria de Comunicação também foi acionada via WhatsApp às 12h50, sem obter retorno.

Segundo a Polícia Federal, a Operação Narco Fluxo teve como objetivo "desarticular associação criminosa voltada à movimentação ilícita de valores mediante criptoativos no Brasil e no exterior". Oliveira e outros empresários do funk foram alvos da ação devido à suspeita de que agenciariam artistas que ocultariam valores provenientes do tráfico de drogas.

Contexto político e defesa do empresário

Na época do jantar, Tarcísio de Freitas era visto por aliados como um potencial candidato à Presidência, embora ele próprio negasse essa intenção. Encontros como o realizado na casa de Latino eram interpretados como tentativas de viabilizar uma candidatura, aproximando-se de possíveis apoiadores. O governador enfrentava críticas de bolsonaristas, que questionavam sua postura política.

Uma semana antes, em 7 de agosto, Tarcísio havia visitado o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpria prisão domiciliar em Brasília. No mesmo dia, ao lado de governadores de oposição, ele fez um discurso cobrando ações do governo Lula (PT) contra medidas tarifárias impostas pelos Estados Unidos naquele período.

Em dezembro, Bolsonaro indicou seu filho mais velho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), como candidato, e Tarcísio reafirmou que disputaria a reeleição em São Paulo. Rodrigo Oliveira, por sua vez, tentou ingressar na política em 2016, quando foi candidato a vereador em São Paulo pelo extinto PSL, e em 2024 pediu votos para Ricardo Nunes (MDB).

Defesa contesta acusações e operação mobiliza mais de 200 policiais

A defesa de Rodrigo Oliveira, representada pelos advogados criminalistas José Luis Oliveira Lima e Bruno Dallari Oliveira Lima, contestou as acusações por meio de nota. O texto afirma que "os valores e transações financeiras mencionados referem-se a relações comerciais lícitas e regulares, inerentes à atividade empresarial da companhia", todas formalizadas com contratos e documentação fiscal.

"A GR6 e seu sócio reiteram que não houve a prática de qualquer ato ilícito e seguem à disposição das autoridades competentes, colaborando integralmente com a investigação", complementa a nota. Os principais alvos da operação foram os músicos MC Ryan e MC Poze do Rodo, cujas defesas também negam as acusações. A PF estimou que o volume financeiro movimentado pelo grupo ultrapassa R$ 1,6 bilhão.

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Mais de 200 policiais federais cumpriram 45 mandados de busca e apreensão e 39 de prisão temporária, expedidos pela 5ª Vara Federal em Santos. A prisão de Oliveira foi confirmada pela Folha de S.Paulo com sua defesa, destacando a dimensão da operação que mira esquemas financeiros complexos.