Receita Federal identifica quebra de sigilo de parentes de ministros do STF
Receita identifica quebra de sigilo de parentes do STF

Receita Federal confirma quebra de sigilo de familiares de ministros do Supremo

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) receberam a informação de que a Receita Federal identificou a ocorrência de quebra de sigilo envolvendo parentes de magistrados da corte. A constatação do vazamento foi confirmada à Folha por um integrante do governo, que preferiu não se identificar.

Detalhes da investigação e abrangência

De acordo com um ministro do Supremo, os dados comprometidos estariam ligados a cônjuges e ex-cônjuges de integrantes do tribunal. Até o momento, não há informações precisas sobre a data do incidente ou a identidade dos responsáveis pela violação.

Conforme revelado anteriormente, a Receita Federal está realizando um rastreamento em seus sistemas sobre os dados de aproximadamente 100 pessoas, seguindo uma determinação do ministro Alexandre de Moraes. O portal Metrópoles informou que, entre os afetados, estão a esposa de Moraes, Viviane Barci, e o filho de outro ministro.

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A lista de indivíduos sob investigação foi elaborada com base no pedido do ministro e inclui pais, filhos, irmãos e cônjuges dos dez ministros do STF. Para concluir o processo, os auditores da Receita realizarão cerca de 8.000 procedimentos de checagem de quebra de sigilo, uma tarefa que demanda tempo considerável, segundo fontes anônimas familiarizadas com o assunto.

Contexto da apuração e sigilo das informações

A solicitação de Moraes foi feita há aproximadamente três semanas, no âmbito do inquérito das Fake News, iniciado em 2019, que investiga ataques de bolsonaristas aos membros do Supremo. Na requisição, o ministro não especificou nomes, mas incluiu todos os magistrados do STF e seus parentes próximos para pesquisa pela Receita Federal e pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).

O rastreamento de possíveis quebras de sigilo se insere no contexto da crise institucional entre os Poderes e órgãos públicos, desencadeada pela quebra e liquidação do Banco Master. Revelações da investigação sobre o escândalo financeiro do banco de Daniel Vorcaro geraram desconfiança e suspeitas de vazamentos de informações protegidas por sigilo bancário e fiscal.

Alguns integrantes do Supremo suspeitam que a Polícia Federal (PF) investigou ministros da corte sem o devido amparo legal. Por outro lado, investigadores da PF consideram que decisões tomadas pelo ministro Dias Toffoli na relatoria do caso prejudicaram as apurações.

Posicionamento das autoridades envolvidas

Quando procurada, a Receita Federal afirmou que não se manifesta sobre demandas judiciais para preservar o sigilo das informações. "Esse processo está sob sigilo de Justiça, só cabe ao STF qualquer autorização de divulgação. A Receita recebe diversas demandas judiciais de informação, não se manifestando sobre elas por conta de sigilo tributário e, muitas vezes, também judicial, como é o caso", declarou a instituição.

O gabinete de Alexandre de Moraes, contatado por meio da assessoria do Supremo, optou por não se pronunciar sobre o assunto. A apuração continua em andamento, com foco em verificar a extensão dos vazamentos e identificar possíveis responsáveis.

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