Investigadores da PF desvendam esquema bilionário da Reag que abala a política paulista
A caixa-preta da gestora Reag, fundada por João Carlos Mansur, está sendo minuciosamente aberta pela Polícia Federal, revelando um cenário alarmante que atinge diretamente a elite política de São Paulo. Segundo fontes próximas à investigação, o que emerge dos documentos e depoimentos é um ecossistema financeiro complexo, utilizado para ocultar recursos de origem ilícita, embora também tenha administrado valores legítimos.
Operação movimentou R$ 1 bilhão ligado ao PCC
Os investigadores da PF identificaram que a Reag recebeu aproximadamente R$ 1 bilhão de empresas apontadas como parte do esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) no mercado financeiro. Esse montante colossal destaca a magnitude das operações fraudulentas que estão sob escrutínio.
Liquidada pelo Banco Central, a Reag era responsável pela administração de diversos fundos de investimento, incluindo:
- Fundos imobiliários com alto retorno declarado
- Investimentos customizados para clientes específicos
- Operações estruturadas através da Reag Asset, Reag Seguros e Reag Wealth
Fraudes com o Banco Master e delação premiada em andamento
Dados do Tribunal de Contas da União (TCU) indicam que os fundos administrados pela Reag Trust estruturaram operações fraudulentas em parceria com o Banco Master entre julho de 2023 e julho de 2024. Essas transações estão no centro das investigações, que buscam desvendar os mecanismos de desvio de recursos.
João Carlos Mansur, figura central no caso, está em negociações avançadas para fechar uma delação premiada, seguindo os passos do acordo já em curso com o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Essa colaboração pode fornecer detalhes cruciais sobre a extensão do esquema e os envolvidos.
Impacto político e investigações contínuas
A investigação não poupa figuras políticas, atingindo inclusive políticos sem mandatos atuais e sem foro privilegiado, o que amplia o alcance das possíveis consequências jurídicas. A PF descreve a Reag como uma engrenagem essencial para quem precisava esconder dinheiro ilícito, criando uma rede que misturava negócios legítimos e operações obscuras.
As autoridades continuam a analisar documentos e depoimentos, com expectativa de que novas revelações surjam nas próximas semanas, potencialmente abalando ainda mais as estruturas políticas e financeiras em São Paulo.



