O Partido dos Trabalhadores (PT) decidiu recorrer à Justiça nesta terça-feira, 6 de janeiro de 2026, contra o vice-governador de São Paulo, Felício Ramuth. A medida é uma resposta às declarações do político do PSD, que classificou a legenda do presidente Lula como "narcoafetiva" durante um evento oficial na capital paulista.
As declarações que motivaram a ação judicial
Durante uma agenda na zona sul de São Paulo na segunda-feira, dia 5, Felício Ramuth foi questionado sobre a crise migratória venezuelana e seus possíveis impactos no Brasil. Em sua resposta, o vice de Tarcísio de Freitas fez uma crítica direta ao partido do governo federal.
Ramuth afirmou que acredita em uma reversão do fluxo migratório, permitindo que pessoas "retornem ao seu país, onde vão poder desfrutar de liberdade". Em seguida, fez a associação que gerou a reação do PT: "Porque vai deixar de ter aquele Estado 'narcoafetivo', como o PT que temos aqui. Lamentavelmente, o partido que está no poder aqui no Brasil é um partido narcoafetivo".
Contraofensiva do PT e reafirmação do vice
Segundo informações da Direção Nacional do PT, a ação por danos morais foi protocolada no Distrito Federal. Membros do partido afirmam que a iniciativa faz parte de uma contraofensiva contra políticos que tentam vincular a sigla ao narcotráfico, uma prática que, segundo o PT, ocorre desde antes da crise na Venezuela.
Procurado para se manifestar, Felício Ramuth não recuou. Ele reafirmou as acusações e expandiu suas críticas, listando uma série de pontos para justificar o uso do termo "narcoafetivo".
"Reafirmo que o PT é um partido narcoafetivo", declarou Ramuth. Ele citou o voto contra o PL Anti-Facção, a defesa de saidinhas de presos, declarações do presidente Lula sobre traficantes e o acesso a áreas restritas como alguns dos motivos.
Contexto político e alinhamentos partidários
A polêmica ocorre em um cenário político complexo. Felício Ramuth é aliado de Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD. Curiosamente, o PSD integra a base de apoio do governo Lula e comanda três ministérios importantes: Agricultura, Minas e Energia, e Pesca.
Esta não é a primeira vez que o PT enfrenta acusações desse tipo. Parlamentares como o deputado federal Nikolas Ferreira e o senador Flávio Bolsonaro também já fizeram associações semelhantes entre o partido e o narcotráfico.
A ação judicial movida pelo PT marca um novo capítulo na disputa política, elevando o tom das críticas ao patamar legal. O desfecho do processo poderá estabelecer limites para o discurso político no país.