Procuradora de Roraima acumula 148 dias sem trabalhar após fuga do marido para os EUA
Procuradora acumula 148 dias sem trabalhar após fuga do marido

Procuradora de Roraima acumula 148 dias sem trabalhar após fuga do marido para os EUA

A situação da procuradora do estado de Roraima, Rebeca Teixeira Ramagem Rodrigues, tornou-se um caso emblemático de ausência prolongada no serviço público. Oficialmente de férias até o dia 8 de maio, a servidora já acumula impressionantes 148 dias sem comparecer ao trabalho, somando períodos de férias, prorrogações, recesso forense e afastamentos não reconhecidos pela administração estadual.

Contexto familiar e prisão nos Estados Unidos

O marido de Rebeca, o ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), foi preso nesta segunda-feira (13) pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE) dos Estados Unidos. A detenção ocorreu na Flórida, conforme informações da Polícia Federal brasileira. Alexandre Ramagem teve seu mandato cassado e encontrava-se foragido no exterior.

No dia 23 de novembro, Rebeca Ramagem utilizou suas redes sociais para anunciar a fuga da família para os Estados Unidos, justificando a decisão como uma medida necessária para "proteger a família". Até o momento, não existem informações oficiais sobre o paradeiro atual da procuradora ou se ela permanece em território americano.

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Cronologia das ausências no trabalho

O afastamento de Rebeca Ramagem das atividades profissionais iniciou-se no dia 17 de novembro de 2025, quando começou um período de férias que deveria terminar em 28 do mesmo mês. Desde então, ela não retornou ao exercício de suas funções.

Os principais marcos deste processo incluem:

  1. Prorrogação de férias até 19 de dezembro de 2025, concedida pela Procuradoria-Geral do Estado (PGE-RR).
  2. Recesso forense do órgão entre 20 de dezembro de 2025 e 6 de janeiro de 2026.
  3. Apresentação de atestado médico solicitando licença de 60 dias a partir de 22 de dezembro.

O documento médico, no entanto, não foi reconhecido pela junta médica estadual porque a procuradora faltou a duas perícias presenciais agendadas para validação. Consequentemente, ela precisa justificar formalmente as faltas no período entre 7 de janeiro e 20 de fevereiro de 2026.

Controvérsias e alegações da servidora

No dia 18 de fevereiro, Rebeca Ramagem publicou um vídeo em suas redes sociais onde alega ser vítima de perseguição política. Ela afirmou que o governo estadual negou a realização de sua perícia por telemedicina e suspendeu seu regime de teletrabalho de forma arbitrária.

A Secretaria de Gestão Estratégica e Administração (Segad) rebateu essas alegações, explicando que Roraima não possui legislação ou estrutura técnica para realizar avaliações de capacidade laboral de forma online, justificando assim a exigência de presença física.

Quanto ao regime de trabalho, a PGE-RR documentou que Rebeca não atua em regime remoto há mais de cinco anos. O teletrabalho da procuradora foi cancelado em agosto de 2020 a pedido da própria servidora, que na mesma época solicitou transferência definitiva para a unidade da PGE em Brasília. Desde então, sua lotação oficial exige atuação presencial na capital federal.

Situação processual e administrativa

Rebeca ingressou com um mandado de segurança tentando realizar uma perícia médica virtual, mas o pedido de liminar foi indeferido pela Justiça. Sem a validação oficial da junta médica, a Corregedoria do órgão é responsável por decidir sobre a abertura de procedimento administrativo para apurar as ausências, mas não informou se algum processo foi iniciado.

A Procuradoria-Geral do Estado afirmou não possuir dados sobre a possibilidade de detenção da servidora no exterior. O g1 tentou contato com Rebeca Ramagem, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem.

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