PF identifica inconsistências em documentos da operação que matou 122 no Rio
PF vê inconsistências em operação que matou 122 no Rio

Polícia Federal identifica falhas em documentos da operação mais letal do Rio

A Polícia Federal reafirmou nesta quarta-feira, 15 de abril de 2026, ao Supremo Tribunal Federal (STF) que detectou "inconsistências significativas" em laudos, arquivos e documentos compartilhados pela Polícia Civil do Rio de Janeiro sobre a Operação Contenção. Esta ação policial, considerada a mais letal da história do estado, resultou na morte de 122 pessoas e agora está sob intenso escrutínio federal.

Perícia federal independente será realizada

Diante das inconsistências encontradas, a PF notificou a Polícia Civil fluminense para complementar as informações, mas decidiu não aguardar uma resposta completa. A corporação federal comunicou formalmente ao STF que iniciará um trabalho próprio de perícia criminal, com o objetivo específico de produzir laudos de necropsia para cada uma das 122 vítimas.

Uma equipe especializada de seis peritos criminais federais do Instituto Nacional de Criminalística foi designada para conduzir as investigações. Esses profissionais terão a missão de realizar exames minuciosos e, posteriormente, comparar seus resultados com os laudos e documentos já emitidos pelas autoridades do Rio de Janeiro.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Prazo estendido e análise de material extenso

A expectativa inicial da Polícia Federal é concluir todas as perícias em um prazo de até 90 dias, porém a corporação já adiantou que este período poderá ser prorrogrado. A extensão do prazo dependerá diretamente da "tempestividade e qualidade das informações" que forem fornecidas pela Polícia Civil do Rio quando solicitadas.

A Polícia Civil compartilhou com a PF aproximadamente 400 horas de gravações relacionadas à operação, material que está sendo minuciosamente analisado pelos peritos federais. Todo esse conteúdo audiovisual, somado aos documentos já examinados, compõe um volume considerável de evidências que demandam tempo para avaliação adequada.

Contexto da ADPF das Favelas

O cronograma de trabalho foi formalmente entregue ao ministro Alexandre de Moraes no âmbito da "ADPF das Favelas". Originalmente, Moraes havia solicitado uma conclusão em apenas 15 dias, mas a Polícia Federal explicou detalhadamente que este prazo seria "impossível de ser cumprido" devido ao volume extraordinário de documentos e imagens que precisam ser analisados.

Vale destacar que foi através desta mesma ADPF que o Supremo Tribunal Federal estabeleceu parâmetros específicos de atuação policial com o objetivo de reduzir a letalidade das operações no Rio de Janeiro, especialmente nas comunidades mais vulneráveis. A decisão judicial também obrigou o governo estadual a criar um plano abrangente de recuperação territorial de áreas dominadas por facções criminosas e milícias, além de determinar a formação de uma força-tarefa da Polícia Federal para combater a infiltração do crime organizado nas estruturas de poder.

A Operação Contenção continua sendo um caso emblemático que testa os mecanismos de controle e transparência nas ações policiais no Brasil, com a Polícia Federal agora assumindo um papel central na verificação independente dos fatos que levaram a essa tragédia sem precedentes no estado do Rio de Janeiro.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar