Polícia Federal identifica suspeitas de vazamento em operação sobre recursos da Amprev
A Polícia Federal (PF) reuniu elementos que sugerem que investigados podem ter recebido informações antecipadas sobre uma ação deflagrada para apurar a destinação de recursos da Amapá Previdência (Amprev) para o Banco Master. Em um relatório enviado à Justiça Federal, os investigadores destacaram que o diretor-presidente da Amprev e coordenador do Comitê de Investimentos da instituição, Jocildo Silva Lemos, possivelmente teve "ciência antecipada" da operação de busca e apreensão que ocorreu na última sexta-feira, dia 6.
Jocildo é apontado como articulador central das operações
De acordo com as investigações em andamento, Jocildo Silva Lemos é considerado pelos agentes como o mentor intelectual e principal articulador das movimentações dentro do Comitê de Investimentos. Documentos analisados pela PF indicam que os aportes do fundo de previdência do Amapá no Banco Master foram realizados ignorando riscos e alertas evidentes, com os repasses totalizando aproximadamente R$ 400 milhões.
Jocildo afirmou publicamente que é aliado e foi indicado para o cargo na Amprev pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). É importante ressaltar que Alcolumbre não está sob investigação e não foi alvo da ação policial. A reportagem tenta estabelecer contato com o diretor-presidente da Amprev para obter mais esclarecimentos sobre o caso.
Celular recém-habilitado e ligação suspeita chamam atenção
No relatório detalhado, a PF narrou que chegou à residência de Jocildo por volta das 6 horas da manhã. Os policiais relataram que "a entrada no imóvel" foi liberada pelos moradores, "sem necessidade de arrombamento". Contudo, o investigado não se encontrava no local no momento da chegada da equipe. Apenas familiares e testemunhas acompanharam o cumprimento do mandado de busca e apreensão.
Quando a equipe policial chegou ao endereço, foi informada de que Jocildo havia saído momentos antes para "a prática de atividade física, levando consigo seu aparelho telefônico de uso pessoal", conforme registrado no documento. Ao retornar para casa, Jocildo tomou conhecimento da operação e entregou voluntariamente à PF um aparelho telefônico, fornecendo a respectiva senha de acesso.
Os investigadores realizaram uma verificação preliminar do dispositivo e notaram que ele havia sido habilitado recentemente. No aparelho, não foram encontradas mensagens, fotografias, registros de chamadas ou qualquer outra evidência concreta de utilização efetiva pelo investigado.
Ligação às 5h42 reforça suspeitas de alerta prévio
Questionado sobre o celular, Jocildo explicou que, na noite anterior, havia repassado seu aparelho, que estava com a tela trincada, a um amigo, Mauro Júnior, que também trabalha na Amprev como procurador jurídico. A PF entrou em contato com Mauro Júnior e determinou a entrega do telefone original.
Durante a operação, os policiais decidiram apreender o celular da esposa de Jocildo, após identificarem registros de ligações telefônicas de Mauro Júnior, realizadas às 5h42 da manhã do dia da operação, que teve início minutos depois. "Tal circunstância, em análise preliminar, sugere a possibilidade de que o investigado tivesse ciência antecipada da operação, o que poderia ter motivado a ocultação ou afastamento de seu aparelho telefônico", afirmaram os policiais no relatório.
Esses indícios reforçam as suspeitas de que houve um vazamento de informações sobre a ação policial, potencialmente comprometendo a eficácia das investigações que buscam esclarecer o destino dos recursos públicos envolvidos.



