PF envia ao STF provas de esquema de corrupção que movimentou R$ 800 milhões no Ceará
PF envia ao STF provas de esquema de R$ 800 mi no Ceará

Polícia Federal encaminha ao Supremo Tribunal Federal provas contundentes de esquema de corrupção no Ceará

A Polícia Federal enviou recentemente ao Supremo Tribunal Federal as conclusões de uma investigação minuciosa que desvendou uma rede estruturada de corrupção no estado do Ceará. O deputado federal Junior Mano, do PSB e pré-candidato ao Senado, é apontado como o líder desta organização criminosa que, segundo os investigadores, movimentou impressionantes R$ 800 milhões em verbas públicas entre os anos de 2020 e 2025.

Esquema baseado no desvio de emendas do orçamento secreto

O mecanismo ilícito tinha como base principal o desvio sistemático de emendas parlamentares do chamado orçamento secreto, prática que se iniciou ainda no governo de Jair Bolsonaro e persistiu no governo Lula. Através de quebras de sigilo, os agentes federais obtiveram um conjunto devastador de evidências digitais:

  • Mensagens de WhatsApp detalhando operações
  • E-mails com instruções para desvios
  • Planilhas com registro de movimentações financeiras
  • Gravações de diálogos comprometedores

Todo este material foi encaminhado para análise do ministro Gilmar Mendes no STF, demonstrando como Junior Mano estruturou e gerenciou pessoalmente a organização criminosa ao longo de cinco anos.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Alta influência política e conexões com figuras nacionais

As interceptações realizadas pela Polícia Federal revelam a extensa influência política exercida por Junior Mano, que mantinha comunicação direta com importantes figuras do cenário nacional:

  1. Camilo Santana sobre questões políticas na eleição de 2024
  2. O próprio governador petista Elmano Freitas
  3. Figuras do meio artístico, como o cantor Wesley Safadão
  4. O ministro dos Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho

Além destes, a investigação cita nominalmente o ex-presidente do Senado Eunício Oliveira, o deputado petista José Guimarães e o deputado Yuri do Paredão como participantes ou conhecedores do esquema.

Mecanismo de corrupção institucionalizada

Segundo o relatório da Polícia Federal, "a associação entre esses diálogos e a presença ostensiva de figuras do Congresso Nacional na agenda política do grupo sustenta a hipótese de que os esquemas de corrupção eleitoral, desvio de recursos públicos e financiamento de campanhas operam com respaldo e articulação direta em esferas federais de poder".

O documento prossegue afirmando que "as práticas delitivas não estão circunscritas ao núcleo local da organização, mas integram um mecanismo mais amplo, sistemático e institucionalizado de cooptação e aparelhamento do Estado".

Financiamento de campanhas e controle de prefeituras

Junior Mano utilizava o dinheiro desviado das emendas parlamentares para financiar candidaturas de prefeitos em mais de cinquenta municípios cearenses. Após a eleição dos aliados, o deputado passava a controlar as prefeituras, direcionando licitações para empresas vinculadas à organização criminosa, que por sua vez desviavam os recursos públicos.

O ciclo completo do esquema funcionava da seguinte maneira:

  1. Liberação das emendas em Brasília
  2. Formalização de contratos fraudulentos entre empresas e prefeituras
  3. Desvio final das verbas públicas

As propinas eram distribuídas para políticos, operadores do esquema e até mesmo para jornalistas que eram remunerados para falar bem ou evitar críticas ao grupo político de Junior Mano.

Operação na Caixa Econômica Federal e crimes apontados

O deputado utilizava sua influência para interferir diretamente em nomeações e decisões da Caixa Econômica Federal, instituição responsável pela operacionalização dos contratos de repasse que alimentavam o esquema. Identificado como assessor de Junior Mano, Adriano Bezerra exercia função de intermediação qualificada junto ao banco público para acelerar liberações de interesse do grupo criminoso.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

Em diálogos interceptados, Adriano aceitou prontamente proposta de apropriação de 12% sobre emendas parlamentares de 1,5 milhão de reais, "respondendo de forma imediata e sem qualquer estranhamento, o que indica que tais tratativas constituíam prática corriqueira", conforme destacou a PF.

No material enviado ao gabinete do ministro Gilmar Mendes, os investigadores citam indícios concretos de vários crimes:

  • Organização criminosa com fins eleitorais
  • Captação ilícita de sufrágio
  • Lavagem de dinheiro
  • Falsidade ideológica eleitoral

Investigações continuam em andamento

A Polícia Federal ressalta que "os indícios reunidos convergem para uma movimentação voltada essencialmente à influência direta no pleito municipal de 2024, apoiada em práticas como a compra de votos, a manipulação de veículos de comunicação, o custeio estratégico de campanhas alinhadas aos interesses do grupo e influência na administração pública".

Os investigadores entendem que o núcleo criminoso operava sob a lógica de um investimento eleitoral contínuo, onde recursos de origem suspeita eram mobilizados, alianças políticas eram firmadas e candidaturas específicas recebiam suporte direcionado, garantindo posteriormente vantagens decisórias e capacidade de controle político sobre administrações municipais estratégicas.

As investigações, no entanto, continuam em andamento, com a possibilidade de novas descobertas e ampliação do escopo do caso que já envolve valores milionários e figuras proeminentes da política brasileira.