PF cumpre mandado de busca na Saúde do Piauí após suspeitas de fraudes em contratos de diálise
PF cumpre mandado na Saúde do Piauí por fraudes em diálise

PF cumpre mandado de busca e apreensão na Secretaria de Saúde do Piauí

A Polícia Federal (PF) executou um mandado de busca e apreensão na Secretaria de Estado da Saúde do Piauí (Sesapi) nesta quarta-feira, como parte de uma investigação sobre supostas irregularidades em contratos milionários para serviços de diálise. A ação foi desencadeada pela Operação Difusão, que identificou indícios de fraudes em licitações envolvendo a Sesapi e a Fundação Municipal de Saúde (FMS) de Teresina.

Ministério Público Federal entra com ação civil pública

O Ministério Público Federal (MPF) ingressou com uma ação civil pública com o objetivo de anular contratos e exigir a devolução de recursos aos cofres públicos. A medida visa combater suspeitas de irregularidades na contratação de uma empresa para serviços de hemodiálise e diálise peritoneal à beira leito. Segundo o MPF, houve falhas graves em um pregão eletrônico realizado pela Sesapi e na adesão da FMS à ata de registro de preços.

A investigação revelou que a fundação contratou a empresa pagando valores superiores aos definidos pela própria secretaria no pregão inicial. A Controladoria-Geral da União (CGU) apontou que os custos foram manipulados para aumentar em cerca de 61%, saltando de R$ 20,1 milhões para R$ 32,4 milhões.

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Indícios de conluio e direcionamento em licitações

As apurações também indicaram a existência de conluio entre empresas que participaram do certame, com suspeitas de direcionamento e favorecimento indevido. De acordo com o MPF, após a desclassificação de concorrentes, ocorreram desistências sucessivas em lotes específicos, o que teria permitido que determinadas empresas assumissem a maior parte das contratações.

Outro ponto crítico destacado na ação é a chamada “necessidade fabricada” no Hospital de Urgência de Teresina (HUT). O MPF afirmou que a unidade já contava com equipe própria de nefrologistas concursados e equipamentos disponíveis, além de um contrato de manutenção no valor mensal de R$ 39,9 mil. Apesar disso, houve adesão à ata do pregão, resultando em um custo mensal de R$ 288,3 mil para a prestação do serviço – cerca de sete vezes maior.

Prejuízo aos cofres públicos e pedidos judiciais

Para o Ministério Público, a contratação terceirizada, nessas condições, foi antieconômica e gerou prejuízo significativo aos cofres públicos. A ação considera que R$ 2.450.218,26 já foram pagos com indícios de ilegalidade, valor que pode ser ampliado no decorrer do processo, dependendo da apuração judicial.

Entre os pedidos apresentados à Justiça estão:

  • Declaração de nulidade do pregão eletrônico, da ata de registro de preços e dos contratos firmados a partir dele.
  • Condenação ao ressarcimento integral dos danos, com juros e correção monetária.
  • Realização de novas licitações regulares para garantir a continuidade dos serviços de diálise, com acompanhamento do Departamento Nacional de Auditoria do SUS.

Posicionamento da Sesapi e da FMS

A Secretaria de Estado da Saúde do Piauí (Sesapi) informou, por meio de nota, que já prestou todos os esclarecimentos necessários no âmbito do processo. A pasta afirmou que o pregão citado na ação observou integralmente os requisitos legais aplicáveis e foi conduzido em conformidade com as normas da administração pública.

A Sesapi destacou ainda que o procedimento passou pelo crivo do Tribunal de Contas do Estado do Piauí (TCE-PI), não sendo constatada pela Corte de Contas qualquer irregularidade material que pudesse comprometer a legalidade, a economicidade ou a legitimidade do pregão. A secretaria reafirmou seu compromisso com a transparência e a responsabilidade na gestão dos recursos públicos.

O g1 procurou a Fundação Municipal de Saúde (FMS) de Teresina e aguarda posicionamento. A operação continua em andamento, com investigações focadas em apurar todas as suspeitas de irregularidades nos contratos de saúde no Piauí.

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