Governador de Roraima é apontado pela PF como líder de esquema de fraudes em licitações
PF aponta governador de RR como chefe de fraude em licitações

Governador de Roraima é apontado pela PF como chefe de esquema criminoso em licitações

Um inquérito da Polícia Federal (PF) revelou evidências que conectam o governador de Roraima, Edilson Damião (União Brasil), a um sofisticado esquema de fraudes em licitações e desvio de recursos públicos na Secretaria Estadual de Infraestrutura (Seinf). As provas foram extraídas de um celular apreendido do empresário Clóvis Braz Pedra, preso em janeiro sob suspeita de lavagem de dinheiro, e incluem mensagens, prints e áudios comprometedores.

Divisão de tarefas na organização criminosa

Com base nas análises dos materiais apreendidos, a PF detalhou minuciosamente as funções de cada envolvido na suposta organização criminosa:

  • Edilson Damião (chefe operacional): Utilizava sua autoridade como secretário da Seinf para manipular licitações, distribuindo antecipadamente obras custeadas por emendas parlamentares aos empresários do esquema, meses antes da publicação dos editais públicos.
  • Disney Barreto Mesquita (braço financeiro): Atuava como articulador e responsável pela lavagem do dinheiro desviado. Mesmo sem cargo oficial no governo, controlava o fluxo de pagamentos da pasta, recebendo milhões através de uma rede de empresas de fachada para ocultar a origem ilícita dos recursos.
  • Clóvis Braz Pedra ("testa de ferro"): Proprietário da empresa C B Pedra (Rodoplacas), sua função era vencer formalmente as licitações para dar aparência de legalidade, repassar as obras a terceiros e distribuir lucros e propinas entre os envolvidos.

Provas materiais: planilhas e áudios comprometedores

O inquérito apresenta um print de uma foto enviada por Edilson Damião para Clóvis Braz, mostrando uma planilha de emendas parlamentares. Na imagem, ao lado de uma obra no município de Iracema, orçada em mais de R$ 1 milhão, o nome "Clóvis" aparece escrito à mão, indicando direcionamento antecipado. A investigação apontou que a planilha foi enviada em novembro de 2024, enquanto o edital de licitação só foi publicado em fevereiro de 2025.

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Além disso, um áudio enviado por Clóvis a Damião revela detalhes sobre o funcionamento do esquema. Na gravação, o empresário pergunta sobre o pagamento de um serviço e menciona que Disney Mesquita já havia confirmado a liberação do dinheiro antes mesmo da própria Seinf. O uso do termo "nossa empresa" na conversa, segundo os investigadores, aponta para uma ligação direta entre os envolvidos e consolida Disney como o chefe financeiro do grupo.

Conversas no WhatsApp expõem mecanismos do esquema

A PF também encontrou uma conversa no WhatsApp entre Clóvis e um empreiteiro, onde o empresário afirma: "o que rola lá não é meu, você sabe disso. Vivo das placas". Essa declaração, de acordo com a investigação, demonstra que a empresa de Clóvis atuava apenas com sinalização viária, enquanto os demais serviços, como obras e terraplanagem, não eram executados por ela, reforçando a tese de que a C B Pedra era utilizada como "testa de ferro".

Contexto das investigações e posicionamentos

As investigações tiveram início em janeiro de 2026, com a prisão de Clóvis Braz Pedra, uma assistente administrativa e um policial militar em Boa Vista. Após as apreensões de celulares, os investigadores identificaram o esquema de fraudes na Seinf, envolvendo integrantes do alto escalão do governo estadual. Na época, Edilson Damião era secretário titular da pasta e vice-governador, assumindo o governo em março de 2026 após a renúncia de Antonio Denarium.

Procurado pelo g1, o Governo do Estado informou que "não possui conhecimento sobre a suposta investigação" e que não houve comunicado oficial sobre o processo. A defesa de Clóvis Braz argumentou que o caso não foi submetido à apreciação judicial, tratando-se de "meras ilações desprovidas de suporte probatório concreto", e se manifestará exclusivamente nos autos. Disney Mesquita, em nota, afirmou que "nunca teve e não possui qualquer contrato com o Governo", rechaçando qualquer associação a irregularidades.

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A Secretaria de Infraestrutura ressaltou que todos os processos foram conduzidos dentro da lei, que as informações do inquérito são suposições não comprovadas, e que, desde 2023, os processos licitatórios passaram a ser centralizados em uma nova secretaria, não sendo mais de responsabilidade direta da Seinf.