Reação política ao rebaixamento da escola de samba que homenageou Lula
Parlamentares da oposição manifestaram-se publicamente nesta quarta-feira (18) após o rebaixamento da Acadêmicos de Niterói do Grupo Especial do carnaval do Rio de Janeiro. A escola, que fazia sua estreia na elite do carnaval carioca, apresentou o enredo "Do Alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil", contando a trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Críticas de Flávio Bolsonaro e Nikolas Ferreira
Em suas redes sociais, o senador Flávio Bolsonaro publicou uma imagem do desfile com a legenda "Quem ataca a família não merece aplauso". A escola foi alvo de críticas por parte de parlamentares oposicionistas devido a uma ala intitulada "Neoconservadores em Conserva", na qual componentes vestiam fantasias de latas com rótulos escritos "família em conserva" e imagens de casais heterossexuais com filhos.
Em outra publicação, o senador citou um trecho bíblico: "de Deus não se zomba; pois tudo o que o homem semear, isso também colherá". O deputado Nikolas Ferreira também comentou o ocorrido, afirmando: "A escola foi rebaixada demonstrando como o Lula está afundando o Brasil. Isto sim foi uma homenagem muito bem adequada".
Problemas técnicos durante o desfile
A Acadêmicos de Niterói abriu os desfiles da Marquês de Sapucaí no domingo (15), narrando a vida do presidente desde sua infância no Nordeste até a ascensão ao poder, incluindo:
- A migração para São Paulo
- A atuação sindical
- Referências críticas ao governo de Jair Bolsonaro
Um dos carros alegóricos fez alusão à prisão do ex-presidente, condenado a 27 anos e 3 meses por participação em tentativa golpista nas eleições de 2022. A escola enfrentou dificuldades na dispersão, com alegorias presas na saída da avenida, resultando em correria ao final da apresentação.
Durante a apuração, realizada nesta quarta-feira, a agremiação recebeu apenas duas notas dez. Após o desfile, o presidente Lula desceu do camarote para cumprimentar o mestre-sala e a porta-bandeira da escola.
Ações judiciais e orientações prévias
Pelo menos dez iniciativas judiciais contestaram o desfile ou exigiram a devolução de recursos públicos repassados à escola. Os questionamentos foram apresentados ao:
- Tribunal de Contas da União
- Justiça Federal
- Justiça Eleitoral
Na quinta-feira (12), o Tribunal Superior Eleitoral rejeitou, por unanimidade, dois pedidos de liminar feitos pelo partido Novo e pelo partido Missão contra Lula, o PT e a escola de samba. Já na sexta-feira (13), a Comissão de Ética Pública da Presidência emitiu recomendações sobre a participação de autoridades federais no Carnaval, incluindo a orientação para que "as autoridades não realizem manifestações que possam vir a ser caracterizadas como propaganda eleitoral antecipada".



