Operação Camuflagem do MPMS investiga lavagem de dinheiro em desdobramento da Tromper
MPMS investiga lavagem de dinheiro em nova fase da Operação Tromper

Operação Camuflagem do MPMS investiga esquema de lavagem de dinheiro em Sidrolândia

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) está realizando nesta quinta-feira, 26 de setembro, a Operação Camuflagem no município de Sidrolândia, como um desdobramento direto das investigações da já conhecida Operação Tromper. Esta nova fase tem como foco principal a apuração de suspeitas de lavagem de dinheiro, conforme divulgado oficialmente pelo órgão ministerial.

Esquema de ocultação de patrimônio

O nome Camuflagem foi escolhido estrategicamente para simbolizar a tentativa de esconder a verdadeira origem de recursos financeiros ilícitos. De acordo com as investigações, um dos integrantes de uma organização criminosa previamente investigada estaria utilizando uma rede de apoio composta por pessoas físicas e empresas para ocultar patrimônio e tentar burlar decisões judiciais, como bloqueios de bens e contas bancárias.

O esquema envolvia o uso de contas bancárias de terceiros, empresas registradas em nome de comparsas e pessoas interpostas para realizar pagamentos e movimentações financeiras em benefício do investigado e de seus familiares. Parte dessas transações teria ocorrido inclusive durante o período em que o suspeito estava preso preventivamente, demonstrando a continuidade das atividades ilícitas.

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Mandados cumpridos e atuação do Gecoc

A ação é conduzida pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), com o apoio fundamental da 3ª Promotoria de Justiça de Sidrolândia. Ao todo, foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão e cinco mandados de prisão, todos expedidos pelo Poder Judiciário após pedido formal do Ministério Público.

A Operação Camuflagem representa mais uma etapa no combate à corrupção e à lavagem de dinheiro na região, reforçando o compromisso do MPMS com a integridade das finanças públicas e a aplicação da lei.

Contexto da Operação Tromper

As investigações que deram origem a esta nova fase começaram em 2023, revelando a atuação de uma organização criminosa especializada em fraudar processos licitatórios. Os envolvidos simulavam concorrência entre empresas de fachada, utilizando documentos falsificados e contratos previamente direcionados para desviar recursos públicos.

Segundo o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), o grupo conseguiu firmar contratos públicos que totalizam mais de R$ 20 milhões, causando um prejuízo significativo aos cofres municipais.

Fases anteriores e condenações

A Operação Tromper teve sua primeira fase deflagrada em maio de 2023, investigando um esquema de corrupção em Sidrolândia que envolvia:

  • Peculato (desvio de dinheiro público)
  • Falsidade ideológica
  • Fraude em licitações
  • Associação criminosa
  • Sonegação fiscal

A segunda fase, em julho de 2023, resultou em quatro prisões e cinco mandados de busca e apreensão, identificando um acordo entre empresas e agentes públicos para fraudar licitações com pagamento de propina.

Recentemente, no dia 8 de agosto, o juiz Bruce Henrique Bueno, da 1ª Vara Criminal de Sidrolândia, condenou sete dos 23 investigados pela operação. As penas variaram de 4 anos e 9 meses a 37 anos e 10 meses de prisão, além do ressarcimento de R$ 350 mil aos cofres públicos. A decisão, no entanto, é de primeira instância e ainda cabe recurso.

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Lista dos condenados na fase anterior

  1. Ueverton da Silva Macedo (empresário, chefe do esquema): 37 anos, 10 meses e 8 dias de prisão, regime fechado.
  2. Ricardo José Rocamora Alves (empresário): 28 anos, 3 meses e 20 dias de prisão, regime fechado.
  3. Roberto da Conceição Valençuela (empresário): 11 anos e 6 meses de prisão, regime fechado.
  4. Odinei Romeiro de Oliveira (empresário): 4 anos, 9 meses e 18 dias de detenção, regime semiaberto.
  5. Flávio Trajano Aquino dos Santos (empresário): 8 anos e 4 meses de reclusão, regime fechado.
  6. Evertom Luiz de Souza Luscero (empresário): 15 anos e 9 meses de prisão, regime fechado.
  7. César Augusto dos Santos (servidor público): 5 anos, 6 meses e 20 dias de reclusão, regime semiaberto.

A Operação Camuflagem demonstra a continuidade e o aprofundamento das investigações do MPMS, mostrando que os esforços para combater a corrupção e a lavagem de dinheiro em Mato Grosso do Sul seguem firmes e determinados.