Prefeito de Cachoeirinha é alvo do MP por nomear sobrinha, irmão e primeira-dama a cargos de secretários
MP investiga prefeito de Cachoeirinha por nepotismo em nomeações

Prefeito de Cachoeirinha enfrenta investigação do MP por suposto nepotismo em nomeações familiares

O município de Cachoeirinha, localizado no Tocantins com uma população estimada em 1.985 habitantes segundo dados do IBGE para 2025, tornou-se cenário de uma polêmica envolvendo o prefeito Sandrimar Alves, do partido União Brasil (UB). O gestor municipal está sob investigação do Ministério Público por um suposto caso de nepotismo, após nomear três parentes para cargos de secretários na administração pública.

Detalhes das nomeações que geraram a investigação ministerial

Conforme documentos oficiais, o prefeito designou sua sobrinha, Tauana Ferreira da Silva Moraes, para o cargo de secretária de Igualdade Social, Equidade e Direitos da Mulher. Paralelamente, nomeou sua primeira-dama, Elaine de Deus, como secretária da Fazenda, e seu irmão, Edimar Alves, assumiu a Secretaria de Cultura. Edimar anteriormente ocupava a função de coordenador municipal de Juventude, tendo sido promovido em abril de 2025.

O caso chegou ao conhecimento do Ministério Público em fevereiro de 2025, mas a portaria formalizando a investigação só foi publicada no Diário Oficial do MP em 26 de janeiro de 2026. A demora burocrática não impediu que as suspeitas ganhassem corpo junto aos órgãos de controle.

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Recomendação do MP pede exonerações imediatas dos familiares

No dia 23 de janeiro de 2026, o promotor Gilmar Pereira Avelino emitiu uma recomendação formal exigindo que o prefeito Sandrimar Alves exonerasse sua sobrinha e demais parentes que ocupam cargos de confiança. O prazo estabelecido foi de 10 dias úteis, mas até 3 de fevereiro nenhuma exoneração havia sido publicada no Diário Oficial municipal.

Entre os principais pontos da recomendação ministerial estão:

  • Exoneração imediata de Tauana Ferreira do cargo de secretária, devido à evidente ausência de capacidade técnica e indícios de nepotismo
  • Remoção de todos os agentes públicos com parentesco até terceiro grau com o prefeito ou outros cargos de direção
  • Proibição de novas nomeações de parentes sem qualificação profissional compatível

Controvérsia sobre qualificação da sobrinha nomeada como secretária

Um dos aspectos mais polêmicos do caso envolve a qualificação educacional de Tauana Ferreira. O Ministério Público alega que ela não concluiu o ensino médio, o que a tornaria inapta para exercer uma função de secretária municipal. Em contrapartida, a própria Tauana divulgou uma nota afirmando possuir ensino médio completo e estar cursando graduação em Administração.

Em sua defesa, a secretária declarou: "As informações divulgadas não correspondem à realidade dos fatos, gerando interpretações equivocadas e desnecessárias". Já o prefeito Sandrimar Alves, por meio de nota oficial, sustentou que todas as nomeações foram realizadas "em estrita observância à legislação vigente".

Remuneração dos familiares e silêncio da prefeitura sobre o caso

Conforme dados do portal de transparência municipal, Tauana Ferreira, Elaine de Deus e Edimar Alves recebem uma remuneração mensal de R$ 4 mil cada um pelos cargos que ocupam. A prefeitura de Cachoeirinha informou que está analisando o conteúdo da denúncia e que encaminhará todos os documentos solicitados pelo Ministério Público.

O prefeito afirmou ainda não ter sido formalmente notificado sobre a investigação. Tentativas de contato do g1 com a primeira-dama e o irmão do prefeito não obtiveram resposta até o fechamento desta reportagem. Cachoeirinha, cidade com 351,535 km² localizada na região do Bico do Papagaio, a aproximadamente 70 km da Serra do Estrondo, agora vê sua administração municipal no centro de uma crise que mistura política familiar e questões de legalidade administrativa.

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