Presidente do Palmeiras e do Banco Crefisa se ausenta de depoimento na CPMI do INSS
A presidente do Palmeiras, do Banco Crefisa e da Crefisa S.A. Crédito, Financiamento e Investimentos, Leila Pereira, comunicou formalmente à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS que não comparecerá ao depoimento agendado para esta segunda-feira (9). A justificativa apresentada pela defesa da empresária cita um compromisso institucional previamente agendado relacionado à premiação pelo título de campeão paulista conquistado pelo Palmeiras no domingo (8).
Justificativa baseada em evento esportivo e viagem internacional
Em carta enviada pelo advogado Eduardo Borges Espínola Araújo, a defesa de Leila Pereira argumentou que a presença pessoal da presidente é indispensável e intransferível na cerimônia de encerramento organizada pela Federação Paulista de Futebol (FPF), que ocorrerá na noite desta segunda-feira. O documento destaca que Leila Pereira, como presidente da equipe campeã da edição de 2026 do Campeonato Paulista de Futebol, tem obrigação institucional de participar do evento.
Além disso, a defesa informou que a empresária não poderá participar das sessões da CPMI entre os dias 10 e 25 de março, pois estará fora do país. A comissão parlamentar está prevista para funcionar até o dia 28 de março, com a última sessão marcada para o dia 26. Apesar das ausências, Leila Pereira afirmou que permanece "à disposição" da CPMI para prestar esclarecimentos caso a comissão assim deseje.
Contexto jurídico e decisão do STF
A sessão desta segunda-feira também previa ouvir o CEO do Banco C6, Artur Azevedo, que igualmente comunicou sua ausência. Tanto Azevedo quanto Pereira basearam suas justificativas na decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, que suspendeu a votação em bloco de requerimentos que haviam aprovado diversas quebras de sigilo e as convocações dos dois empresários.
A defesa de Leila Pereira argumentou que, conforme a decisão do ministro Dino, "o ato desta CPMI-INSS não pode ser considerado nulo para alguns e válido para outros". Portanto, a convocação da empresária não reuniria as condições de validade necessárias para impor o dever de comparecimento no momento atual. A votação que originou a convocação gerou tumulto entre parlamentares, evidenciando as tensões políticas em torno do processo.
Possibilidade futura de participação e fundamentos da convocação
Em ambos os casos, os representantes das instituições financeiras deixaram em aberto a possibilidade de comparecer à CPMI do INSS caso novos requerimentos sejam aprovados de forma individual, respeitando os trâmites legais adequados. A postura sugere uma disposição para colaborar, desde que dentro dos parâmetros jurídicos reestabelecidos.
O requerimento para que Leila Pereira fosse ouvida foi de autoria do relator Alfredo Gaspar (União-AL) e se baseava em informações prestadas pelo próprio presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, em depoimento realizado no início de fevereiro. Segundo o relator, a Crefisa assumiu papel central na operação de pagamento de novos benefícios, mas passou a ser alvo de medidas restritivas pelo órgão.
No texto do requerimento, o deputado Alfredo Gaspar destacou que a convocação era "medida necessária" para esclarecer o conhecimento da alta administração da Crefisa sobre irregularidades relatadas por beneficiários do INSS. A investigação busca aprofundar as relações entre instituições financeiras e o sistema de pagamento de benefícios sociais, com foco em possíveis falhas ou desvios.



