Galáxia Master: Explosão Financeira Atinge 10 Instituições e Rombo do FGC Supera R$ 52 Bilhões
Galáxia Master: 10 Instituições Atingidas e Rombo de R$ 52 Bi no FGC

Galáxia Master: Explosão Financeira Atinge 10 Instituições e Rombo do FGC Supera R$ 52 Bilhões

A liquidação dupla do Banco Pleno e da Distribuidora Pleno nesta quarta-feira eleva para dez o número de instituições financeiras atingidas mortal ou gravemente pela crise que se originou na galáxia do Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro. Este cenário catastrófico expõe falhas sistêmicas e interligações perigosas no mercado financeiro brasileiro.

O Início do Colapso: BRB e as Fraudes de R$ 12 Bilhões

A primeira instituição significativamente impactada foi o Banco Regional de Brasília (BRB), do governo do Distrito Federal. Em março de 2025, o BRB apresentou-se para comprar 68% do controle do Banco Master, negociando créditos considerados problemáticos. Após análise minuciosa do Banco Central, conduzida pelo então diretor de Organização, Renato Brito Gomes, foram identificadas fraudes monumentais de R$ 12 bilhões em papéis sem lastro real. O BC vetou a operação em setembro, deixando o Master completamente à deriva.

O BRB já comunicou ao Banco Central que realizará um aumento de capital de R$ 5 bilhões para cobrir parte do rombo financeiro e está ativamente tentando vender fatias do seu capital para instituições financeiras estabelecidas na Faria Lima. Esta movimentação demonstra a gravidade dos prejuízos acumulados.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Interligações Perigosas e o Papel das Grandes Instituições

Quem não está familiarizado com os meandros complexos do mercado financeiro pode se surpreender com as operações interligadas entre bancos de grande porte e instituições menores. Um exemplo claro envolve gigantes como XP, Nubank, BTG-Pactual e Genial Investimentos, que comercializavam CDBs do Banco Master no mercado, apoiados na garantia de até R$ 250 mil oferecida pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Com essa estratégia, essas instituições obtiveram comissões de corretagem substanciais.

Outra interligação significativa ocorria nos mercados interbancários. Com liquidez consideravelmente maior que a do Master, o BRB atuava como financiador de suas posições. O interesse do BRB em se associar ao banco de Vorcaro e assumir seu controle estava intimamente ligado à tentativa de corrigir uma má avaliação na compra inicial de papéis do Master. Tanto no Brasil quanto nos mercados internacionais, posições credoras elevadas frequentemente induzem a compra de concorrentes menores para mascarar prejuízos acumulados, que podem gerar créditos tributários vantajosos para o comprador.

Castelo de Cartas Desmorona: Tentativas Desesperadas e Prisão

Entre o veto do Banco Central em setembro e a liquidação definitiva em 18 de novembro, Daniel Vorcaro tentou diversas manobras, incluindo a disseminação de informações falsas. Na tarde de 17 de novembro, o Master divulgou um comunicado anunciando sua venda para o obscuro Fundo Fictor – conhecido por ser um dos patrocinadores do Palmeiras – em associação com o fundo soberano Mubadala, dos Emirados Árabes Unidos, por R$ 3 bilhões.

Vorcaro foi detido no aeroporto de Guarulhos ao tentar embarcar em seu jato particular, cujo plano de voo indicava destino a Malta, um paraíso fiscal europeu no Mediterrâneo, embora ele alegasse estar viajando para Dubai para finalizar o negócio com o Mubadala. Nem a Polícia Federal nem o Banco Central deram crédito à sua versão. A prisão de Vorcaro foi decretada no dia seguinte, junto com diretores de seu grupo – Augusto de Lima foi liberado posteriormente – e o conglomerado foi liquidado em 18 de novembro, incluindo Banco Master S/A, Banco Master de Investimento, Banco Letsbank (atual BlueBank) e a corretora do grupo.

Na esperança de que o Will Bank, banco digital controlado pelo Master, pudesse ser negociado separadamente, o BC inicialmente o manteve operando. Contudo, em 21 de janeiro, após o calote em pagamentos de operações de cartão de crédito com a bandeira Mastercard, a liquidação do Will Bank também foi decretada.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

Ampliação da Intervenção e Pedido de Recuperação Judicial

Uma semana antes, em 15 de janeiro de 2026, o Banco Central ampliou a intervenção para incluir a CBSF DTVM (ex-Reag Investimentos), apontada como parte do mecanismo utilizado para ocultar prejuízos em fundos de investimento. As investigações sugerem envolvimento em lavagem de dinheiro para o PCC e para devedores contumazes, além do uso de empresas-laranja.

O grupo Fictor, que possui 40 CNPJs, viu apenas dois deles entrarem em dificuldades após a fracassada tentativa de compra do Master em parceria com o Mubadala. Após ter R$ 150 milhões bloqueados pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, a pedido da Mastercard, o grupo ingressou com pedido de Recuperação Judicial para a Fictor Invest e a Fictor Holding em 1º de fevereiro de 2026, alegando dívidas totais de R$ 4 bilhões. A versão de que aportaria R$ 3 bilhões no Master junto com o Mubadala parece ter saído diretamente de um conto das "Mil e Uma Noites".

Rombo Histórico no FGC e o Modelo de Negócios Frágil

O que todas essas instituições liquidadas tinham em comum? Um modelo de negócios que captava recursos do público confiando excessivamente na garantia de até R$ 250 mil oferecida pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), lastreada principalmente pelos grandes bancos. Essas instituições maiores agora pressionam por mudanças no modelo, solicitando liberação de recursos compulsórios para cobrir débitos contábeis e exigindo que o BC imponha requisitos de capital mais rigorosos para fintechs e novos bancos.

O Master já registrou pedidos de cobertura no valor de R$ 40,6 bilhões ao FGC, com fundos de pensão de servidores estaduais e municipais acumulando prejuízos superiores a R$ 10 bilhões. O Will Bank gerou pedidos de R$ 6,3 bilhões, e o Pleno reúne um potencial de R$ 4,9 bilhões. No entanto, a enxurrada de prejuízos parece longe de ter terminado, com o rombo total do FGC já ultrapassando a marca histórica de R$ 52 bilhões.

O Caso Agibank: Vazamento de Dados e Suspeitas Persistentes

Após as 18 horas da sexta-feira, 13 de fevereiro, enquanto os batuques de Carnaval já animavam as ruas, o Banco Central emitiu um comunicado alertando sobre irregularidades nas contas do Agibank S.A. De acordo com o BC, entre 26 de dezembro de 2025 e 30 de janeiro de 2026, dados cadastrais vinculados a 5.290 chaves Pix – incluindo nome do usuário, CPF mascarado, instituição de relacionamento, número da agência e detalhes da conta – foram acessados indevidamente por hackers.

A demora de mais de duas semanas para alertar o mercado e os clientes do banco levanta sérias questões. Na avaliação de especialistas, o Banco Central pode ter exercido excesso de cautela para não interferir no processo de IPO (oferta pública inicial) do Agibank no mercado de Nova Iorque.

O Agibank, que já contou com participação acionária do Bradesco e mantém parceria no crédito consignado, foi anteriormente acusado em inquérito de desvios em contas de aposentados e de participar de esquemas de fraude contra o INSS. Essas acusações levaram ao adiamento de seu IPO, originalmente marcado para o início de janeiro. Uma nova suspeita de vazamento de dados pode arquivar definitivamente a operação. A pergunta que permanece é: foi excesso de zelo do Banco Central ou um grave erro de avaliação?