Presidente do BC nega discussões sobre liquidação do Master com ministro do STF
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, prestou depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Senado Federal nesta terça-feira, onde realizou declarações contundentes sobre dois temas sensíveis: suas conversas com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e a situação financeira crítica do Banco Master antes de sua liquidação.
Diálogos restritos à Lei Magnitsky
Galípolo foi enfático ao negar que tenha discutido o caso do Banco Master com o ministro Alexandre de Moraes durante suas reuniões. Segundo o chefe da autoridade monetária, os encontros mantidos com membros do STF, incluindo Moraes, tiveram foco exclusivo nos impactos da Lei Magnitsky, medida aplicada pelo governo dos Estados Unidos que gerou uma crise sistêmica no sistema financeiro brasileiro em 2025.
"O ministro Alexandre de Moraes, como qualquer ministro do Supremo, sempre tive relação, da mais cordial", afirmou Galípolo, acrescentando que as conversas abordaram temas sensíveis como privacidade e sigilo bancário, mas sempre dentro dos limites legais de confidencialidade.
Cenário catastrófico do Banco Master
Em relação ao Banco Master, Galípolo descreveu um panorama de extrema fragilidade financeira que justificou a intervenção do Banco Central. Segundo suas revelações, no momento da liquidação, ocorrida no final de 2025, a instituição dispunha de apenas 10% dos recursos necessários para honrar seus compromissos imediatos com investidores.
O presidente do BC detalhou que a autoridade monetária já monitorava sinais de alerta antes da decisão final, incluindo a venda de novas carteiras de crédito pelo banco para tentar gerar liquidez. Em março de 2025, a área técnica do Banco Central iniciou investigações sobre a existência efetiva de empréstimos registrados pela instituição, um procedimento padrão para verificar a consistência das operações.
Defesa do procedimento adotado
Questionado sobre o timing da liquidação, Galípolo defendeu que o Banco Central seguiu rigorosamente o que determina a legislação brasileira. "A lei exige que o BC esgote alternativas de mercado antes de decretar a liquidação, por ser a solução menos custosa para o sistema financeiro", explicou.
O presidente também destacou que informações sobre a liquidação do Banco Master permanecerão sob sigilo por até oito anos, conforme as normas da autoridade monetária. "É fundamental que seja seguido o rito mais estrito possível", afirmou, justificando a medida como necessária para evitar questionamentos futuros e garantir segurança jurídica ao processo.
Contexto político e ausências
A CPI do Crime Organizado também abordou a ausência do ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto, que era esperado para depor mas não compareceu após obter decisões favoráveis no STF. Vale ressaltar que o caso do Banco Master teve início ainda durante sua gestão, mantendo o episódio sob análise política e institucional.
Galípolo classificou a crise decorrente da Lei Magnitsky como uma das mais complexas de 2025, exigindo interlocução com diferentes autoridades brasileiras. Segundo ele, o tema demandava discussões institucionais por envolver dados protegidos e possíveis efeitos em todo o sistema financeiro nacional.



